Primeira categoria de caminhoneiros encaminha acordo sobre valor do frete

Reunidos desde a segunda-feira no Ministério da Infraestrutura, os representantes de transportadoras, embarcadores e motoristas de caminhão buscam consenso sobre tabela

No segundo dia de reuniões entre os representantes do governo, transportadoras, embarcadores e caminhoneiros no Ministério da Infraestrutura, ao menos uma categoria das 11 existentes saiu satisfeita. Nesta terça-feira (30/07), os transportadores de carga líquida, como combustíveis e derivados de petróleo, alinhavaram o acordo sobre o valor do frete. As demais ainda estão calculando os percentuais que serão acrescidos à tabela elaborada pela Esalq e que desagradou os caminhoneiros por considerar apenas custos, sem incluir o lucro dos profissionais.



Segundo Ailton Gomes, presidente da Associação dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Rio de Janeiro, os caminhoneiros estão apresentando os percentuais que consideram justos. “A parte de carga líquida, que nós representamos, está praticamente alinhada. Faltam apenas detalhes com embarcadores”, disse, ao deixar a reunião. Gomes explicou que, na segunda-feira, a reunião foi apenas para separar os grupos. “Hoje, cada um vez sua proposta. Amanhã (quarta-feira) deve sair um fechamento”, estimou.


O representante da Confederação Nacional dos Transportadores em Logística (CNTTL) e presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Ijuí (RS) Carlos Alberto Liti Dahmer não saiu tão otimista. “A categoria de carga líquida fez um acordo entre todas as partes, validando o que já é praticado pelo mercado. Não entram nos números do estudo (da Esalq)”, explicou. “Isso não acontece nas outras categorias, que estão com valores muito defasados”, disse.


Liti afirmou que os caminhoneiros estão aguardando que o “outro lado” se pronuncie. “É uma negociação intermediada pelo governo. É um tema complexo porque o índice acima do piso varia, até mesmo dentro de uma mesma categoria, dependendo da quilometragem”, detalhou. Conforme a liderança, os embarcadores (cujos representantes são das confederações do transporte, da indústria e da agricultura) precisam avaliar o que foi proposto. “Os demais atores – CNT, CNI, CNA — precisam se manifestar. Ou aceitar ou contrapor as propostas feitas”, completou. 


Para a especialista em direito concorrencial, Patricia Agra, sócia do L.O. Baptista Advogado, mesmo que os acordos sejam elaborados de forma consensual, a ideia do tabelamento de fretes, em si, não é boa. “Acaba com a concorrência, facilita a cartelização e prejudica justamente os mais frágeis da cadeia, os caminhoneiros autônomos”, avaliou.

Fonte: Correio Braziliense

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