FISCALIZAR O PESO SALVA VIDAS E PRESERVA O PAVIMENTO

A fiscalização do peso em caminhões nas estradas brasileiras é fundamental e necessárias para garantir a segurança dos usuários e a preservação do pavimento, entre outros benefícios

Não é de hoje que se ouve falar que o excesso de peso nos caminhões representa um grande dano ao país. Primeiro porque coloca em risco a segurança dos usuários que trafegam nas estradas, e segundo porque provoca precocemente grandes danos ao pavimento da rodovia.


Outra consequência é o dano que acarreta ao veículo. Além de aumentar o consumo de combustível, há maior desgaste dos pneus, dos freios e da suspensão. Isso sem falar na perda de tempo que o transportador e o motorista vão ter, pois o caminhão pode ficar dias e até semanas parado na balança por conta do excesso, o que compromete o tempo de entrega e, em alguns casos, a própria carga.


A correria do dia a dia dos caminhoneiros requer viagens sem grandes intercorrências. Mas para que esse desejo se torne realidade é preciso que os transportadores e os motoristas respeitem um dos itens – considerado fundamental – que envolve o transporte de carga: o limite de peso recomendado pelo fabricante para cada tipo de caminhão. Sem isso, nada feito.


Entretanto, infelizmente, não é o que se vê nas estradas do Brasil afora. Além de casos de acidentes com mortes e feridos, o dano precoce ao pavimento é visível em boa parte da malha rodoviária brasileira. Os prejuízos à sociedade são enormes.


Uma medida legal e necessária no combate aos abusos por parte de algumas empresas, que muitas vezes obrigam seus motoristas a transportar excessos consideráveis, é a fiscalização feitas nas balanças.


Quem fiscaliza?

A competência para fiscalizar o peso depende do local em que o caminhão trafega. Nas rodovias federais pedagiadas a responsabilidade recai sobre a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), em conjunto com a PRF.


Já nas rodovias sem pedágio a fiscalização é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). Por conta disso, o órgão mantém 110 opostos de pesagens instalados no Brasil.  De acordo com o DNIT, o excesso médio de 10% de peso por eixo do caminhão reduz em 40% a vida útil projetada para a estrada.



Ainda de acordo com dados do DNIT, os prejuízos anuais com danos por excesso de peso em estradas podem chegar a até 2% do PIB (Produto Interno Bruto) sem que haja uma fiscalização eficiente. O grande problema, em termos de danos, está em uma carga excessiva apoiada sobre um mesmo eixo. Por isso, há uma tabela de carga máxima por tipo de eixo que deve ser obedecida e, durante a fiscalização, existe uma tolerância de 5% sobre o peso excessivo, ou seja, passar somente em 5% do permitido no momento da pesagem do caminhão, acima disso pode levar à multa e punições.


Já nas rodovias estaduais, o controle de peso é feito pelos Departamentos de Estradas de Rodagem (DER) de cada estado. Esses órgãos têm autorização para multar, assim como a Polícia Rodoviária Estadual. No estado de São Paulo, são mais de 240 pontos de pesagem em todas as rodovias estaduais, concedidas ou não.


Fiscalização na BRs

A ANTT informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os postos de fiscalização de excesso de peso da ANTT, nas rodovias concedidas, possuem a balança em movimento e a estática. Fora isso só as balanças móveis, que não local fixo e só realizam a pesagem estática.


Ainda de acordo com a Agência, a pesagem em movimento pode ter uma margem de erro pequena, mas impacta menos no fluxo logístico, já que o caminhoneiro apenas diminui a velocidade e segue viagem. Já a estática permite uma aferição exata, mas impacta na operação logística, já que demanda a parada total do veículo.


Quanto ao fato de fiscalizar o peso somente em rodovia concedida, a Agência informou que essa é a atribuição da ANTT definida em lei.


Importância do controle

Para o engenheiro de Tráfego, Fábio Abrita Filho, a fiscalização do peso é de extrema importância para o transporte de carga nas rodovias brasileiras para a segurança dos usuários e para a preservação do pavimento.


Com passagem pelos departamentos de Operação e Tráfego na Dersa Desenvolvimento Rodoviário S.A. e na NovaDutra, e atual diretor da concessionária Via Rondon, Abrita Filho, alerta para a questão do controle de peso de caminhões nas estradas brasileiras.


Segundo ele, é preciso intensificar a fiscalização para que haja menos acidentes e danos ao pavimento. “Somente com rigor na fiscalização é que podemos reduzir o número de acidentes com mortes envolvendo caminhões com excesso de peso. Infelizmente, hoje se tornou mais difícil fiscalizar o peso nos caminhões, por conta da alteração no Código de Trânsito Brasileiro, em 1998, que prevê que o fiscal autuador seja um agente público”.


Abrita Filho disse que antes da mudança no CTB, havia mais mão de obra para fiscalizar e autuar os infratores. “É preciso rever essa cláusula do Código que não permite funcionários das concessionárias agirem como fiscais autuadores”, comentou.

Fonte: Estradas

brasildotrecho:

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