Contra greve, governo anuncia R$ 500 mi de crédito para caminhoneiros

Valor será disponibilizado pelo BNDES; limite de financiamento por motorista é de R$ 30 mil

Para conter ameaças de greve de caminhoneiros diante da alta do preço do diesel, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta terça-feira (16) uma linha de crédito de R$ 500 milhões para a categoria.

O valor será disponibilizado para profissionais da área de transporte rodoviário pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Já tínhamos sinalizado isso para os caminhoneiros autônomos. Está restrito para os que têm até dois caminhões no mesmo CPF", afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

De acordo com o ministro, o crédito servirá para que os profissionais possam comprar pneus e realizar a manutenção de seus veículos. Cada caminhoneiro terá acesso a um financiamento de até R$ 30 mil.

O anúncio ocorre um dia depois de encontro no Palácio do Planalto que reuniu seis ministros para anunciar medidas que melhorem a vida dos caminhoneiros sem que o Poder Executivo tenha de fazer intervenções no preço do diesel.


A medida está entre as iniciativas que foram discutidas em reunião realizada na segunda-feira (15) e concluídas na manhã desta terça, no Palácio do Planalto.




Além da linha de crédito, o governo anunciou uma série de outras ações para atender a categoria dos caminhoneiros.

O Ministério da Infraestrutura recebeu R$ 2 bilhões que serão investidos para a conclusão de obras prioritárias, como a pavimentação da BR-163. Desse valor, R$ 900 milhões irão para a recuperação da capacidade da malha rodoviária brasileira.

O ministro da Casa Civil foi questionado sobre quais outras pastas perderiam recursos para que a aplicação dos R$ 2 bilhões em obras rodoviárias fosse viabilizada, uma vez que o Orçamento está contingenciado.

Ele disse que o Ministério da Economia está estudando como equacionar o rearranjo orçamentário. “Vai fazer um rateio entre todos, cada um vai dar sua contribuição”, disse Onyx.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse por sua vez que o pacote de medidas para atender os caminhoneiros incluirá a construção de pontos de descanso em rodovias federais.

De acordo com ele, o governo incluirá nos contratos de concessões dessas rodovias uma obrigação para que a empresa concessionária construa pontos de descanso.

Além disso, ele afirmou que o governo estimulará o cooperativismo na categoria dos caminhoneiros e atuará para desburocratizar o processo de transporte profissional de cargas.

Nessa linha, o governo deve implementar uma espécie de certificado eletrônico que reunirá uma série de documentos hoje necessários para o exercício da profissão, o que deve reduzir os gastos dos profissionais com despachantes.

Freitas deixou claro que uma das prioridades do governo é garantir o valor do frente aos caminhoneiros. "O mais importante é garantir o frete", disse ele.

O ministro citou como uma opção para isso o cartão-combustível da Petrobras.

“Tem outra medida importante, que o caminhoneiro vai começar a perceber, que é o cartão combustível. Que virá. Está sendo estudado e vai ser disponibilizado em breve pela Petrobras", disse.

Inicialmente, o ministro falou que haveria duas formas de garantir o valor do frete: uma seria indexar o frete ao aumento do diesel e a outra, o cartão caminhoneiro, no qual haverá um crédito para garantir o preço do diesel naquele frete. 

"Ou seja, dá previsibilidade, isso vai mitigar o impacto de ele iniciar o transporte e de repente ter aumento do diesel e ele ser surpreendido, ter parte da renda consumida. Ele vai poder comprar, ter um crédito naquele cartão para ele fazer o transporte naquele preço de largada, aquele preço de contratação", afirmou.

Logo em seguida, a assessoria de imprensa do ministério informou que não haverá indexação do frete ao diesel e que esse era apenas um exemplo, mas que isso não será adotado pelo governo.

Tarcísio negou que ao criar medidas o governo esteja refém da pauta dos caminhoneiros. Questionados, os ministros não responderam sobre se há risco de uma nova paralisação da categoria.

"Não se trata de ficar refém, eles estão pedindo condições de trabalho. São pleitos justos, construídos na base do diálogo", disse.

Onyx disse ainda que Bolsonaro sempre esteve alinhado com as demandas dos caminhoneiros.

"O presidente sempre teve na sua vida parlamentar muita proximidade com os caminhoneiros autônomos. Ao longo da campanha, assumiu compromissos de dar melhores condições de trabalho, respeito e valorização dessa importante categoria."

A reunião realizada nesta segunda, que discutiu as medidas para atender a categoria, durou cerca de quatro horas.

Seis ministros discutiram soluções para a demanda dos caminhoneiros. Participaram Onyx (Casa Civil), Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Santos Cruz (Governo) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral).

Segundo relatos feitos à Folha, a ideia com o anúncio é transmitir a mensagem de que o governo tem o empenho de atender os caminhoneiros em pautas que vão muito além da questão do diesel.

Nos bastidores, auxiliares do presidente veem como inevitável a flutuação do preço do combustível de acordo com a variação do valor do petróleo e câmbio, como é feito hoje. Por isso, será necessário vencer esse descontentamento de outras formas.
Fonte: UOL

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