Caminhoneiros enfrentam mais um dia de espera por balsas, após queda da ponte da Alça Viária

Na Bernardo Sayão as filas de caminhões que precisam fazer a travesssia é extensa

De acordo com a ARCON, número de veículos que saem pelos portos de Belém subiu de 700 para 7 mil por dia. Quem tenta chegar à capital também enfrenta filas.

Mais de 24h esperando por balsas e longas filas. É o que caminhoneiros têm enfrentado desde que a terceira ponte da Alça Viária caiu sobre o Rio Moju no último sábado (6). Quilômetros de engarrafamentos nas vias próximas aos portos de Belém trazem preocupação com a segurança de motoristas e cargas, mas também com os impactos que essa demora trará ao abastecimento do Estado. Número de veículos na área saltou de 700 para mais de 7 mil, após o desabamento da ponte.

Nesta quarta-feira (10), as filas continuam grande e uma nona balsa se uniu as que reforçaram o transporte de veículos de passeio e de transporte de cargas nos portos de Belém. A balsa deve agilizar a saída da cidade e será usada para melhorar o fluxo de veículos de grande porte para fora da capital.

Desde o último sábado (6), equipes de órgãos de trânsito trabalham para evitar que as filas de automóveis que esperam para embarcam parem o trânsito na cidade. Mesmo assim, o tempo médio de espera para quem agora só pode ir em direção ao Nordeste do Pará de balsa pode chegar a oito horas.
Apesar da demora, ela não se compara as mais de 24h que os caminhoneiros esperam para sair da cidade. É que o Porto onde cinco balsas fazem o transporte de veículos pesados para fora da cidade de Belém também funciona dando preferência aos ônibus de viagens.
São mais de nove quilômetros de espera para os caminhões e a fila já acaba bem longe do porto: na Avenida Perimetral. Fábio Novaes diz que espera na fila há mais de um dia e que não vê fluxo entre os veículos, mas a espera ainda não é a maior preocupação.

“Falta segurança, banheiros. É o caos. Estamos em área vermelha e não temos apoio da segurança pública. Como vamos levar alimento para as pessoas?”, questiona.

Roni Silva afirma que precisa levar a madeira que leva no caminhão e tem hora marcada para descarregar em Barcarena ou terá de pagar multas o trajeto de 2h multiplicou para mais de 20h. “Está horrível nossa situação. Se não chegar lá, vou ter de reagendar tudo”.

Diego Araújo também reclama da falta de informação. “Estamos há tantas horas numa fila que não anda. São 20h de espera. E estavam embarcando veículos do outro lado”.

Após queda da ponte, filas de caminhões prejudicam trânsito em Belém

Em Barcarena, no nordeste do Estado, quem espera é quem deseja chegar à Belém. Por lá, a fila também está enorme e já alcança alguns quilômetros. Ernald Kelvin, explicou que o trajeto Anaindeua-Barcarena-Ananindeua que fazia em algumas horas, ele ainda não pode completar mesmo esperando há dias para seguir viagem.


“Saímos no domingo às 22h da fábrica em Ananindeua. Chegamos à fazenda na segunda e, por volta das 20h, conseguimos chegar aqui na fila. Apenas agora [terça-feira] vamos conseguir fazer a travessia para Belém e, de lá, seguir para Ananindeua”, resume.

Segundo o DIEESE/PA, com o tempo maior de espera dos caminhoneiros, há risco de desabastecimento ou mesmo de elevação de preços de produtos no Pará.

Medidas
A Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (ARCON) orienta os motoristas a se direcionar ao porto correto.

Veículos de passeio devem se dirigir ao porto da Henvil, enquanto os caminhões devem ir ao porto da Celte, ambos localizados na avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá.

Os caminhões que transportam combustíveis para abastecer a região afetada com a queda da ponte têm horário específico para sair de Belém e só poderão embarcar às 5h, às 14h e às 22h, pelo porto da Henvil.

De acordo com o Governo do Estado, outros dois portos devem entrar em atividades até a próxima semana para atender as demandas por veículos.

Também foram anunciadas a disponibilização de uma ferry boat para atender a cidade de Cametá, com capacidade para levar 400 passageiros e 30 veículos, também serão viabilizadas lanchas rápidas para a população do Moju. Ambas as cidades ficam localizadas no nordeste do Pará.

“Sabemos que isso tudo não é suficiente, mas estamos tentando amenizar os impactos na mobilidade da população. Antes da queda da ponte do Rio Moju, a circulação de veículos pela Avenida Bernardo Sayão era de 700 veículos ao dia. Hoje são cerca de 7 mil, um impacto enorme”, pondera Eurípedes Reis, diretor-geral da Arcon.
Fonte: G1

Nenhum comentário

Deixe seu comentário...