SXSW expõe táxi voador, carro autônomo e caminhões de lixo inteligentes

Táxi voador

Evento de cultura e tecnologia discute o que vem por aí em mobilidade urbana


O South by Southwest era no começo apenas um pequeno festival em Austin, Texas, para onde pessoas da indústria musical iam todo ano em março para contratar o próximo grande artista, além de curtir um pouco de sol, tacos e churrasco.

Mas o SXSW –pronunciado “South-by” por seus frequentadores e os residentes locais— evoluiu para converter-se no equivalente moderno à Expo Mundial, um lugar para onde as pessoas vêm para descobrir as tecnologias que vão transformar suas cidades.

E em nenhuma área isso fica mais evidente que no futuro da mobilidade urbana. Se o que está sendo exposto em Austin constitui algum indício do que vem por aí, o modo como as pessoas se movimentam nas cidades está prestes a mudar radicalmente.
“O South by Southwest começou como festival de música”, disse Hugh Forrest, diretor de programação do SXSW, falando para uma reunião de prefeitos dos EUA e Canadá. “O que vocês estão vendo aqui levou 30 anos para ser construído.”

O que esses prefeitos estão vendo é um futuro para suas cidades em que os táxis vão voar, os caminhões de lixo vão analisar o lixo e o trânsito será controlado em tempo real não por engenheiros de trânsito, mas por inteligência artificial.

A EmbraerX, empresa brasileira de aviação que é cliente da Hill+Knowlton, veio ao SXSW para divulgar sua visão de como levar o transporte nas cidades literalmente para o próximo nível com seu eVTOL, ou veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (electrical Vertical Take Off and Landing). Basicamente, estamos falando em um táxi voador.

A simples construção de um táxi voador –um táxi voador elétrico e possivelmente sem motorista —requer que a EmbraerX construa um ecossistema inteiramente novo para a construção, o uso, o estacionamento, a regulamentação e o controle dos eVTOLs.

Mas o primeiro passo é acostumar as pessoas à ideia, e foi isso que convenceu a EmbraerX a criar uma sala de protótipo no SXSW onde as pessoas podem construir táxis voadores com blocos de Lego, usar fones de ouvido de realidade virtual para fazer uma corrida virtual ou pedir para o designer-chefe da empresa desenhar sua visão pessoal de como poderia ser o táxi voador.

“A ideia só vai poder se concretizar se atiçarmos a imaginação das pessoas e mostrarmos que não estamos oferecendo um produto, mas uma transformação social”, disse Antonio Campello, o CEO da EmbraerX. “O SXSW é um palco óbvio para difundir essa mensagem.”

Quando táxis voadores elétricos autônomos chegarem às cidades, isso vai inevitavelmente criar desafios enormes para os prefeitos que se reúnem no SxSW. Um dos destaques do encontro dos prefeitos é um evento ao estilo de “Shark Tank -Negociando com Tubarões”, em que empresas emergentes de tecnologia propõem soluções inovadores a desafios, concorrendo a um prêmio de US$ 10 mil (R$ 38,67 milhões).

Neste ano, os prefeitos ouvirão ideias de empresas que propõem caminhões de lixo inteligentes que otimizam a gestão do lixo, um aparelho que responsabiliza os locadores de imóveis de aluguel subsidiado por custos abusivos de aquecimento, sensores de trânsito controlados por inteligência artificial, treinamentos de realidade aumentada e realidade virtual para paramédicos, um sistema de intervenção em crises de saúde mental baseado na nuvem e um sistema de desenvolvimento da força de trabalho controlado por inteligência artificial.

Algumas propostas de mobilidade urbana apresentadas aos prefeitos são menos especulativas.

Executivos da Ford Smart Mobility estão propondo a micromobilidade como maneira de aprimorar o design de ruas, discutindo a adequação de veículos autônomos às cidades e perguntando como a “Próxima Internet” vai ajudar as pessoas a se deslocarem com mais facilidade.

Foi a chegada iminente dos veículos automatizados às cidades que preocupou o jornalista Malcolm Gladwell em sua participação no SXSW. Ele discordou da descrição de carros sem motorista como sendo autônomos, sendo que os carros não podem exercer poder decisório. Mas sua preocupação principal é que a introdução de carros conduzidos por computadores nas ruas públicas antes de termos resolvido a cibersegurança trará grandes riscos às cidades.

“As pessoas no Vale do Silício têm uma atitude um pouco blasé em relação à segurança”, disse Gladwell. “Toda semana ouço notícias sobre invasões de privacidade ou roubos de dados que custaram US$ 200 milhões. Num momento como esse, introduzir uma transformação social como os carros sem motorista é uma irresponsabilidade. Se a NSA (Agência Nacional de Segurança) não é capaz de se proteger, quem mais é?”

As cidades provavelmente vão resolver essa e muitas outras questões com os veículos sem motoristas antes de fazermos nossa primeira corrida em um táxi voador. Entre hoje e esse momento no futuro não muito distante, o modo como nos deslocamos nas cidades vai passar por um período de transformação acelerada e possivelmente confusa. A única coisa sobre a mobilidade urbana que não vai mudar é que ela será discutida todos os meses em março, em Austin, no SXSW.

Fonte: UOL

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