Ford confirma que mantém decisão de fechar unidade de caminhões em SP

Caminhão Ford prata

Trabalhadores foram informados do resultado da reunião entre sindicato e montadora nos EUA em assembleia nesta terça

Sindicalistas que estiveram reunidos com a direção global da Ford, nos Estados Unidos, no último dia 7 de março, foram informados que a montadora mantém a decisão de fechar a unidade de caminhões em São Bernardo do Campo , no ABC paulista. Segundo os sindicalistas, a direção global da Ford garantiu que há conversas com pelo menos três grupos interessados em assumir a unidade da Ford naquele município. A decisão foi informada aos cerca de 3 mil trabalhadores da fábrica em assembleia realizada na manhã desta terça-feira.
Segundo Rafael Marques, um dos líderes sindicais que esteve na reunião com o presidente de operações globais da Ford, Joe Hinrichs, a montadora se mostrou irredutível na decisão de fechar a fábrica de caminhões do ABC. Além de Rafael Marques, esteve no encontro o presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, e o coordenador do Comitê Sindical na Ford, José Quixabeira de Anchieta. A decisão da Ford de fechar a unidade de caminhões, que também produz o veículo Fiesta, foi anunciada no último dia 19 de fevereiro.
Nós vamos manter a pressão para o grupo que assumir o negócio no Brasil não compre apenas a fábrica, mas preserve os empregos - disse Marques ao GLOBO.
O sindicalista disse que foram apresentados à direção da montadora números de subsídios recebidos pela Ford nos últimos cinco anos, que somam quase R$ 15 bilhões.

— Nós mostramos que a empresa recebeu R$ 7,5 bilhões em incentivos fiscais nos últimos cinco anos para a fábrica de Camaçari, na Bahia, onde a empresa vai concentrar sua produção de automóveis a partir do próximo ano. A montadora também recebeu R$ 5 bilhões em empréstimos a juros subsidiados do BNDES. Outros R$ 3 bilhões em benefícios vieram do programa Inovar Auto e agora do Rota 2030. Portanto, é inadimissível que uma multinacional que tenha recebido esses benefícios saia dessa maneira - disse Marques.
Os sindicalistas também apresentaram à direção da Ford um projeto para que a fábrica de São Bernardo fosse transformada numa unidade de novas tecnologias, como desenvolvimento do carro autônomo e investimentos em carros elétricos. Mas a proposta não foi aceita, segundo o sindicalista.
Ficou decidido na assembleia desta terça que os trabalhadores manterão o estado de mobilização. Eles foram orientados pelo sindicato a comparecer à fábrica todos os dias, mas devem entrar e ficar parados. Em alguns dias, os funcionários deverão retomar os trabalhos e em outros promover atos de protesto pelo fechamento da unidade. Também querem participar do processo de negociação da unidade.
— Todo dia será uma orientação diferente aos trabalhaodres. Queremos participar das negociações da unidade para garantir os empregos  — disse Marques.
Prejuízos seguidos
A fábrica de São Bernardo emprega 3 mil funcionários, mas segundo o Dieese, o encerramento da produção no município pode sacrificar pelo menos 27 mil empregos, entre funcionários indiretos, empregados de fornecedores e terceirizados. A Ford decidiu abandonar a produção de caminhões na América do Sul alegando prejuízos seguidos na região. Entre 2013 e 2018, a perdas teriam chegado a US$ 4,5 bilhões.
Para Antônio Jorge Martins, coordenador do MBA em gestão da cadeia automobilística da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo a Ford deixa o mercado de caminhões no Brasil por uma decisão estratégica de não mais investir nesse segmento. A montadora só produz caminhões na Turquia, através de uma joint venture com uma empresa local. Martins avalia que a montadora deixa o país num momento de recuperação do mercado de caminhões. A previsão da Fenabrave, associação que representa os revendedores, é que as vendas cheguem a 88 mil unidades este ano.
— Quando a economia voltar a crescer com mais força, o potencial brasileiro é de produzir 200 mil unidades - afirma Martins, da FGV.
O governador de São Paulo, João Doria, iniciou um movimento para tentar vender a fábrica de São Bernardo. O grupo Caoa, que tem revendas Ford, informou ter interesse na unidade. O grupo Caoa já produz veículos da Hyundai sob licença em Goiânia e tem 50% de participação no Brasil da fabricante chinesa de carros Chery, com fábrica em Jacareí (SP). Se a fábrica de fato fechar, a Mercedes Benz ,Volkswagen e atés os chineses da Foton devem disputar a fatia de mercado deixada pela americana Ford.
Fonte: O Globo

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