Mais da metade das rodovias complicam a vida do caminhoneiro

Mais da metade das rodovias complicam a vida do caminhoneiro

Estudo mostra que em mais de 61 mil quilômetros existem problemas de pavimentação, sinalização ou de geometria

Em 2018, 26 equipes de pesquisadores da Confederação Nacional do Transporte (CNT) percorreram por 30 dias mais de 107 mil quilômetros em diversas estradas abrangendo toda a extensão da malha pavimentada federal e as principais rodovias estaduais pavimentadas com o objetivo de avaliar as condições das rodovias do país.

Uma das propostas dessa pesquisa, realizada anualmente, há 22 anos, pela CNT, é identificar as características que afetam, de forma direta ou indireta, o desempenho e a segurança dos usuários do sistema rodoviário nacional. Em linhas gerais são vistoriados o pavimento, a sinalização e a geometria das vias. Dessa análise resulta a classificação do estado geral das rodovias pesquisadas.

Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, a 22ª edição da Pesquisa de Rodovias deve servir como um instrumento de consulta para todos os caminhoneiros autônomos e demais transportadores de todo o país.

Nova call to action
“Queremos que esse trabalho da Confederação Nacional do Transporte, em parceria com o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), possa também nortear a definição de políticas públicas para que o Brasil se torne mais competitivo, com planejamento adequado e execução de obras prioritárias”, diz Andrade.

De acordo com o estudo, dos 107.161 quilômetros de vias analisados, 57% registram algum tipo de problema no estado geral, (35,2% encontram-se em estado regular; 15,3%, em estado ruim; e 6,5%, em péssimo estado) seja no pavimento, na sinalização ou na geometria da via.

Em 2017, esse percentual era maior, atingindo 61,8% das rodovias nacionais. Mesmo tendo caído para 57%, o índice é alto e demonstra que ainda há muitos trechos deficientes na maior parte das rodovias, que demandam grandes volumes de investimento.

Sem os aportes necessários e com o uso frequente e intenso da infraestrutura precária disponível, há um encarecimento do custo operacional na prestação do serviço de transporte de carga, reduzindo, assim, a competitividade dos produtos brasileiros e aumentando os custos para a população, conclui o estudo.

Quanto às condições de pavimento, 54.635 quilômetros, ou 50,9% dos trechos avaliados, receberam classificação regular, ruim ou péssima. Destes, 37% encontram-se em condição regular; 9,5% em situação ruim e 4,4% em péssimo estado. Em 42,3%, o pavimento encontra-se em ótimas condições; e em 6,8% foi considerado bom.

No tocante à sinalização, 44,7% da extensão, ou 47.895 quilômetros das rodovias, apresentaram algum tipo de deficiência, sendo 24,5% dessas vias classificadas como regulares; 10%, como ruins; e 10,2%, como péssimas. Entre os problemas identificados há trechos sem placas e faixas centrais e laterais.

Na avaliação da geometria, 75,7% das rodovias brasileiras foram classificadas como regular, ruim ou péssima. Nesse aspecto, é preocupante a identificação de 29.281 quilômetros classificados como péssimo (27,3%). Neles, há trechos sem acostamento ou com curvas perigosas sem dispositivos de proteção ou sinalização. Entre 2017 e 2018 o número de pontos críticos subiu, saltando de 363 para 454, um aumento de 25%.

O estudo da CNT define como pontos críticos as condições nas estradas que podem trazer graves riscos à segurança do usuário ou custos adicionais de operação, devido à grande possibilidade de dano aos veículos, aumento do tempo de viagem ou aumento da despesa com combustíveis.

São buracos grandes, erosões na pista, queda de barreiras e pontes caídas. A falta de investimentos é a principal causa das atuais condições das rodovias brasileiras. Para corrigir os problemas mais urgentes, reconstruir, restaurar e readequar as vias desgastadas seriam necessários R$ 48 bilhões. “Esse valor é sete vezes maior que o orçado pelo governo federal para todas as obras em transporte rodoviário em 2018”, calcula o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Sob o aspecto ambiental a situação também é crítica, uma vez que, em função das inadequações do pavimento, estima-se que em 2018 haja um consumo desnecessário de 876,78 milhões de litros de diesel nas rodovias brasileiras. Isso representa um adicional de 2,32 milhões de toneladas de CO2 emitidos pela combustão de diesel, um desperdício que custará R$ 3,02 bilhões aos transportadores.
Fonte: Canal Rural

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