Retrospectiva 2018: ano de recuperação

Retrospectiva 2018: ano de recuperação

O desempenho do mercado de caminhões nos últimos 12 meses indica que a crise no segmento ficou no passado

Ao olhar para o passado recente, o ano que chega ao fim parece ter começado em outubro de 2017, durante a Fenatran, a mais importante feira de negócios de transporte da América Latina. Na ocasião, embora o mercado de caminhões ainda não mostrasse força suficiente para sair do poço cavado pelos quatro anos de quedas sucessivas nas vendas, a conversa nos bastidores sob o teto do São Paulo Expo era de que aquele momento marcava o início da recuperação do segmento.
Não se tratava de mera especulação tampouco previsões de controversa bola de cristal. Após anos sem substituições de veículos, o setor de transporte não tinha outra alternativa senão renovar frota, caso não quisesse colocar em risco o negócio com caminhões mais custosos do que rentáveis. Depois, safras cada vez mais abundantes e indicadores macroeconômicos mais robustos não apresentavam outro cenário senão o do crescimento.

Naquela Fenatran, o jogo de 2018 começava a ser disputado, com as montadoras colocando novidades a um transportador bem mais confiante para os próximos doze meses que viria. O desenrolar do ano mostrou que as estimativas estavam corretas. O mercado de caminhões em 2017 fechou com leve alta de 2,7%, com 51.941 unidades vendidas. Iniciou o atual período no patamar de 4.000 caminhões negociados por mês e chega ao fim do ciclo na casa de 8.000 veículos mensais emplacados, com crescimento de 49% no acumulado até novembro, para 68.352 unidades absorvidas setor de transporte de carga.


Ainda está longe do recorde de 2011, quando as vendas alcançaram quase 173.000 caminhões negociados, mas foi desempenho suficiente para que Roberto Cortes, presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, anunciar de maneira enfática, no início de dezembro em encontro com a imprensa especializada: “estou convicto de que 2018 encerra um dos períodos de crise mais severas para indústria caminhões e ônibus. Nos últimos anos os sinais da recuperação estavam no ar, mas não tão fortes quanto agora”.

Mesmo a greve dos caminhoneiros em maio, que paralisou o País por mais de dez dias, não afastou o transportador do balcão de vendas. Especialmente o consumidor de pesados, mais ligado ao agronegócio. A categoria foi a alavanca do mercado de caminhões em 2018. Os emplacamentos no segmento cresceram 86,9% até novembro, com 30.987 unidades licenciadas, o que representou até então 45% das vendas totais.

Em continuidade a Fenatran, 2018 também foi um ano de lançamentos, que sustentam o aumento da demanda. A nova família de caminhões Delivery, da Volkswagen, encerra seu primeiro ano cheio de vendas já conquistando espaços nos primeiros lugares em suas categorias.

A Mercedes-Benz tratou de fazer uma das maiores atualizações já feita em seus produtos, colocando Actros e Axor em destaque no mercado de pesados, bem como inaugurou um avançado campo de provas dedicado ao desenvolvimento de veículos comerciais.

A Scania apesentou a sua nova geração de caminhões, que começa a ser entregue a partir de fevereiro de 2019. A gama, com novas cabines e em paridade com os produtos oferecido na Europa, promete elevar o patamar de transporte, com caminhões mais eficientes e empacotados com tecnologia de conectividade.

A comemorou os 25 anos do FH desde que foi lançado por aqui, com lançamento de uma edição especial de produção limitada. O sofisticado modelo, recheado de recursos de segurança, conveniência e conforto, também exemplifica as capacidades que a fabricante de Curitiba (PR) tem para oferecer ao mercado.

A Ford reforçou sua linha de médios e semipesados com motores Cummins mais potentes e econômicos no que chamou de caminhões Cargo Power, com modelos para atender necessidades de 17 a 31 toneladas, em versões cavalo-mecânico 4×2 e rígidas 6×2, 6×4 e 8×2.

A Iveco, a mais recentemente, no início de dezembro, lançou linha de caminhões pesado como uma opção para o transportador em segmento abaixo da gama Hi-Way. Com cabines inteiramente novos, os Hi-Road trazem motores de 360, 400 e 440 cv, todos associados com transmissão automatizada de 16 marchas e configurados como 4×2, 6×2 ou 6×4.

A DAF, além de consolidar as linhas CF e XF no segmento fora de estrada, com versões para atender ao segmento canavieiro em composições de 11 eixos, comemorou em 2018 cinco anos de atividade produtiva em Ponta Grossa (PR).


No ano que vem, as apostas de continuidade do crescimento estão preservadas. Prova disso, são os anúncios de contratações para iniciar segundo turno, casos da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que trouxe mais 350 trabalhadores para fábrica de Resende (RJ), da Mercedes-Benz, que estima absorver, em contratos temporários mais de 600 pessoas até abril, 400 delas a partir de janeiro, e a Volvo, que embora ainda não tenha revelado o número de colaboradores, já se decidiu pelo aumento na produção em Curitiba.

Representantes da indústria de caminhões têm certeza da tendência ascendente das vendas, mas ainda hesitam em dimensionar o crescimento. A estimativa se limita ao vago e amplo dois dígitos. Resta apenas esperar para ver.

A equipe do Estradão deseja a todos os leitores um excelente fim de ano e próspero 2019.
Fonte: Estadão

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