Operação com caminhões basculantes requer procedimentos de segurança

Operação com caminhões basculantes requer procedimentos de segurança

Operação com caminhões basculantes requer procedimentos de segurança

A operação de caminhão basculante está entre os trabalhos mais comuns do setor de construção, principalmente em obras terraplenagem, nas quais esses veículos transportam material escavado para bota-foras. Na escavação e aterro de médio e grande porte, ou em áreas de mineração, dezenas de caminhões basculantes atendem à rotina das linhas de produção, o que requer uma disciplina de operações e procedimentos de segurança para evitar acidentes.

Os cuidados vão além das atividades de carregamento; eles começam pelo preparo dos motoristas dos caminhões e operadores de escavadeiras, que precisam de treinamento para esse trabalho. As manutenções devem estar em dia e os caminhões não podem apresentar vazamentos, principalmente de óleo hidráulico e do motor, para que não haja comprometimento das operações, nem risco para o meio ambiente. Qualquer óleo que escorra da máquina pode significar multa severa, por isso é necessária fiscalização assídua nesse aspecto.

As luzes de sinalização e alarmes de movimentação desses veículos também precisam estar em boas condições, para evitar acidentes. Em muitas obras, os caminhões basculantes saem do canteiro e trafegam por rodovias e centros urbanos para chegar até o destino no bota-fora, por isso devem estar bem sinalizados e enquadrados nas leis de trânsito.

BOTA FORA
O cuidado com a destinação do material, que deve ser descarregado em bota-fora legalizado, é um dos pontos fundamentais no trabalho. “O caminhão com terceiro eixo precisa estar com o peso bruto total (PBT) de 23 toneladas”, informa José Antonio Spinassé, diretor da Luna Locações e Transportes. “Se tiver quarto eixo, o peso deve ser de 29 toneladas”, acrescenta.

Ao transportar o material, o caminhão não pode carregar mais que 12 metros cúbicos na caçamba, para não ser enquadrado com excesso de carga pelos órgãos fiscalizadores. O transportador deve emitir o CTe (Conhecimento de Transporte Eletrônico) informando a destinação do material, para que a empresa não seja punida pela lei ambiental.

O caminhão com terceiro eixo precisa estar com o peso bruto total (PBT) de 23 toneladas
José Antonio Spinassé
“Após sair com o caminhão do canteiro, a responsabilidade pelo veículo é totalmente do motorista. Ele é o vigilante da carga, por isso precisa estar consciente da quantidade de material depositado na caçamba, deve cobrir a carga com lona para trafegar nas vias, mesmo que seja apenas em perímetro urbano. Também é necessário observância para que a caixa de lavagem de pneus esteja sempre disponível na obra”, orienta Spinassé.

CARGA
Geralmente, as empresas que fazem carregamento e transporte de material possuem uma metragem semelhante para limitar a altura da carga na caçamba. A cota de nivelamento é abaixo da linha superior da caçamba, no limite determinado pela gerência de operações da obra e estabelecido pelo motorista. Spinassé diz que é proibido utilizar o tradicional ‘fominha’ instalado em muitos caminhões, uma madeira afixada no alto da caçamba para aumentar sua altura e colocar carga adicional.

Quando a escavadeira despeja o material na caçamba, é o operador desse equipamento que determina o ponto de carga e o motorista do caminhão faz as manobras para ajustar o veículo no local. “Essa regra serve também para quem opera pá-carregadeira. O operador desse equipamento precisa ter noção da manobra e da altura de despejo da caçamba. O tombamento do material é feito de maneira bem distribuída dentro da caçamba basculante do caminhão e o operador faz o nivelamento de topo da carga”, descreve Spinassé.

A falta de suporte do terreno no local de descarregamento e a má operação do veículo, principalmente quando o operador deixa a caçamba levantada para sair do local de descarregamento, são situações que podem causar o seu tombamento
Sandy Padilha
Dessa forma, o operador sabe quantas caçambadas são necessárias para que o caminhão possa ser carregado dentro dos limites, para não trafegar com espaços vazios, nem com excesso de carga. Além dos cuidados com carregamento, deve haver uma área mínima definida pela equipe de produção da obra para a realização dessas operações. Os raios de curva de caminhões e pás-carregadeiras precisam ser considerados, assim como os trajetos internos no canteiro de obras precisam ser definidos e bem sinalizados.

TERRENO
Sandy Padilha, consultor da Criando Excelência Operacional Empresarial (CEOE), orienta que o terreno onde são efetuados os carregamentos de material tenha suporte suficiente para que o caminhão carregado realize manobras sem o perigo de atolar ou tombar. “Esse aspecto é imprescindível e deve ser checado antes de se iniciar uma obra. Ao se comprovar que o terreno não tem sustentação suficiente, é necessário fazer troca de solo ou a forragem com rachão e brita, proporcionando o suporte necessário”, explica.

Caso seja utilizado rachão para reforçar os pontos de circulação do caminhão, ele deve ser recoberto com bica corrida, para não agredir os pneus. “Dentro do canteiro de obras com pouco ou muito espaço para manobras, os cuidados são redobrados no trajeto interno, com regras de movimentação de outros equipamentos e de pessoal. A mesma atenção é necessária nas áreas de carregamento e descarregamento, quanto às redes elétricas, de água, gás, galerias pluviais e redes de esgoto”, enumera Padilha.

De acordo com ele, todo material que não for bem acomodado na caçamba do caminhão pode causar problemas; contudo, as cargas de solo mole são as mais perigosas, pois se movimentam na caçamba e podem inclusive causar tombamento. Os cuidados com o descarregamento também são fundamentais, porque envolvem a operação de ré dos caminhões. “A falta de suporte do terreno no local de descarregamento e a má operação do veículo, principalmente quando o operador deixa a caçamba levantada para sair do local de descarregamento, são situações que podem causar o seu tombamento”, finaliza.
Fonte: AECWEB