Agronegócio brasileiro já sente impactos negativos do tabelamento

Agronegócio brasileiro já sente impactos negativos do tabelamento do frete, afirma SNA

Agronegócio brasileiro já sente impactos negativos do tabelamento do frete, afirma SNA

O tabelamento do frete já prejudica o agronegócio. A constatação é do vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, ao analisar “os fortes impactos negativos que o tabelamento do preço do frete está causando no agronegócio brasileiro”. Segundo ele, este tabelamento “pode ser muito mais salgado do que se espera”.

De acordo com Sirimarco, os negócios no segmento de grãos já estão paralisados. Isto porque os produtores rurais não sabem exatamente quanto terão de desembolsar pelo frete. Sem esta previsibilidade, os agricultores estão enfrentando dificuldades para fazer o cálculo do custo final de produção.

“Os agricultores começam a plantar a safra de verão agora em setembro, principalmente, a de soja. O produtor tem por hábito comercializar antecipadamente parte de sua safra. Destra forma, ele já vai administrando seus custos e receitas. Só que este ano, isto não está ocorrendo porque o produtor não sabe como calcular o preço do frete. O principal problema está num jabuti que colocaram no tabelamento: o frete de retorno”, explicou ele durante palestra no evento Precificação de Combustíveis, organizado pela FGV Crescimento & Desenvolvimento.

O tamanho do custo

Para quantificar o tamanho do problema, Sirimarco tomou como base estudo feito pelo Cepea/USP, que fez simulações de quanto o preço do frete pesaria no bolso do agronegócio brasileiro. O levantamento aponta que o aumento de custo esperado para o transporte este ano pode variar de 70% a 154%.

Com base nestes dados, Sirimarco mostrou que, em um cenário em que todos os caminhões voltassem vazios dos portos, o aumento de custo chegaria a R$ 25,1 bilhão (154%).  Sem o frete, o acréscimo seria menor, mas igualmente impressionante: R$ 11 bilhões (70%).

Sirimarco mostrou que a soja teria um incremento nos gastos com transporte da ordem de R$ 13.9 bilhões. Esta elevação representa um aumento de 156% frente aos valores de 2017.

Os custos para o escoamento da oleaginosa pode ser ainda maior porque estima-se aumento, mas exportações, da ordem de 8.6%.

O milho, por sua vez, teria aumento nos custos de transporte da ordem de R$ 7,3 bilhões (166,3%), quando comparado com o mesmo volume de 2017.  Ainda no caso do cereal, Mato Grosso seria a região mais afetada. O estado é o maior produtor de milho e deve registrar incremento com os custos do frete de R$ 5,3 bilhões. Isto porque encontra-se mais distantes dos principais portos para o escoamento do produto: Santos e Paranaguá.

Dependência do modal rodoviário

Ainda em sua palestra, Sirimarco destacou a grande dependência do agronegócio brasileiro no modal rodoviário, que chega a 42.3 %. Ele lembrou que esta dependência faz com que o agronegócio brasileiro se torne menos competitivo quando comparado a países como os EUA.

“Nos EUA, a zona de produção fica no centro-oeste. Ali eles usam a hidrovia do Roo  Mississipi, via Nova Orleans, para escoar. Também perdemos para a Argentina, que ganha em competitividade de transporte por ter distâncias menores”, comparou ele.
 
Fonte: Eae Maquinas