Mercado de veículos pesados precisa de estabilidade econômica para continuar evoluindo

Mercado de veículos pesados precisa de estabilidade econômica para continuar evoluindo

Presidente da Mercedes-Benz defende um horizonte com condições macroeconômicas mais favoráveis 

O mercado de veículos pesados respira um pouco mais aliviado este ano, uma vez que as projeções apontam para um novo crescimento das vendas de caminhões e ônibus. No entanto, embora haja algumas condições que venham favorecendo a retomada do setor, como o agronegócio, este não pode ser o único pilar para um mercado saudável, que necessita de outros setores para continuar a reagir e trazer maior estabilidade econômica. Essa é a visão do presidente da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer, que apontou algumas necessidades para a continuidade da evolução do mercado de pesados durante o Workshop Planejamento Automotivo 2019, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 27, em São Paulo.

“Em 2019, teremos a continuação da evolução da economia, com alguns setores em alta, como a agricultura, que está bem estruturada. Por outro lado, a indústria e outros setores ainda dependem de resoluções que virão com as eleições. E esse crescimento só será possível se houver condições macroeconômicas mais favoráveis”, afirma Schiemer, ao analisar o cenário atual e suas perspectivas para o próximo ano.


O cenário de 2018 ainda é favorável por alguns outros fatores, indica Schiemer. Mesmo com a retomada lenta, o ambiente de negócio está melhor e vem reagindo conforme o Produto Interno Bruto (PIB) evolui: reflexo de uma inflação sob controle, o que mantém os juros mais baixos. “Hoje a Selic está em 6,5% ao ano, eu diria que é um valor aceitável, mesmo ainda sendo alto com relação aos juros de outros lugares no mundo”, comenta.

O executivo é enfático ao dizer que o mais necessário atualmente é a confiança. No caso do mercado de caminhões e ônibus, o crescimento de 24,7% previsto pela indústria para este ano levará a um volume estimado em 79,5 mil unidades, patamar semelhante ao de 2015, lembrou Schiemer. Segundo o executivo, o mercado será basicamente impulsionado pelo segmento de pesados e extrapesados, que atendem massivamente o agronegócio. “Os demais segmentos – como leves e semipesados, onde está concentrado o maior número de autônomos, por exemplo, ainda enfrentam uma letargia. Estão crescendo, mas em escala muito menor que os extrapesados. Falta confiança para a volta às compras.”

Schiemer defende uma agenda econômica que volte a priorizar os investimentos em infraestrutura. “Todos sabemos que o País precisa de uma infraestrutura melhor, estradas em melhores condições, logística mais eficiente e construção civil. Tudo isso pode retornar com uma gestão que dê um horizonte de política econômica estável para os próximos anos e isso poderá gerar um bom impacto para o mercado.” 

Ele aponta ainda a necessidade de tirar das ruas os caminhões antigos. “É muito bonito falar de eletrificação, mas temos de discutir a renovação de frota e olhar com responsabilidade para as condições desses caminhões. Teremos muito mais benefícios em tirar os produtos mais velhos das ruas e colocar outros mais novos antes de pensar nos desafios da eletrificação para o Brasil, como a distribuição de energia para recargas, se a energia será mesmo limpa ou o que vamos fazer com as baterias depois de sua vida útil”, alertou.

Embora o executivo admita que a Mercedes desenvolva modelos elétricos no exterior, como uma linha de caminhões leves que está sendo testada na Ásia, ainda não há definições sobre sua vinda para o Brasil. “No curto prazo vamos avançar [nesta questão], mas não aqui.”
Fonte: Automotive Business