Que tal ônibus que freia e acelera sozinho?

Que tal ônibus que freia e acelera sozinho? Mercedes-Benz apresenta modelo

Que tal ônibus que freia e acelera sozinho? Mercedes-Benz apresenta modelo

Série O 500, feita no Brasil, já era uma das mais avançadas e agora tem ACC, como nos carros mais caros

Há um ano e meio, a Mercedes-Benz do Brasil apresentou seu projeto de ônibus rodoviário (o famoso "ônibus de viagem") com segurança de carro de luxo: com sensores, radares e outras tecnologias aplicadas, a série O 500 (RS e RSD) auxiliava o motorista com leitura de faixas, medidor de pressão dos pneus, cruise control, sistema anti-capotamento, freios automáticos -- e também com mimos como teto solar e cadeira que sustenta melhor o corpo do condutor, ao mesmo tempo em que treme toda e aciona um alarme se ele der sinais de cansaço extremo. 

Agora, a fabricante adicional uma função que já estava prometida, mas ainda não implementada ao ônibus inteligente: o ACC (ou controle de cruzeiro adaptativo), já bastante comum em carros de mais de R$ 100 mil. Com ele, o motorista determina velocidade a ser mantida e distância dos demais veículos. A partir daí, o sistema acelera, freia e mantém distância segura dos demais veículos, sem intervenção do condutor. O próximo passo é ser autônomo e andar sozinho.

Segundo a Mercedes-Benz, sensores do chassis O 500 enxergam até 32 veículos (caminhões, ônibus, carros e motos maiores) a uma distância de até 200 metros, alimentam um total de 14 itens tecnológicos de segurança e reduzem risco de acidentes, além de reduzirem consumo e desgaste do equipamento.

Esse ACC entra em ação, freando ou acelerando automaticamente o veículo para evitar o impacto, mesmo em condições como direção sob neblina ou em serras -- por padrão, funciona a velocidades superiores a 15 km/h. 

Também serve de "treino" para que ônibus autônomos entrem em operação aqui no Brasil. Para isso, a tecnologia atual precisa ser aliada a câmeras, sistema GPS controlado por satélite e itens de conectividade. 

"Estamos antecipando uma tecnologia já presente no inovador Future Bus Mercedes-Benz, na Europa, que demonstrou sua eficiência e confiabilidade em trechos de circuito fechado de BRT na Holanda. Ou seja, radares, sensores, câmeras, sistema de navegação GPS controlado por satélite e conectividade, elementos do Future Bus, naturalmente serão a referência para o desenvolvimento e operação do nosso futuro ônibus autônomo", afirmou o diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa.

Competição com avião
Por trás de tudo, a ideia de dar mais segurança a trabalhadores e passageiros de ônibus passa pelas noções de conforto, eficiência, credibilidade da marca, mas principalmente pela concorrência entre diferentes modais, com consequente queda de preços (e receitas).

Com o avanço do setor automotivo, esse tipo de equipamento será algo comum nos próximos anos. Apesar do custo de instalação, o retorno em produtividade fará a conta bater. Assim, fenômenos como a queda no preço das passagens aéreas (e na qualidade desse serviço), garagens e fabricantes de ônibus podem oferecer um serviço melhorado e conseguir novos clientes (ou pelo menos não perder os clientes atuais para o avião).
Fonte: UOL