Entidades criticam tabela de fretes; caminhoneiro fala em 'dignidade'

Entidades criticam tabela de fretes

Entidades criticam tabela de fretes; caminhoneiro fala em 'dignidade'

Entidades criticam tabela de fretes; caminhoneiro fala em 'dignidade'

Representantes de entidades ligadas a empresas e a cooperativas criticaram nesta terça-feira (26), durante audiência pública no Congresso Nacional, a medida provisória editada pelo governo que instituiu a criação de uma tabela com os preços mínimos dos fretes.

Também presentes à audiência, representantes dos caminhoneiros defenderam o tabelamento, a ponto de um motorista autônomo dizer que a definição dos preços dá "dignidade" ao trabalho da categoria.

A MP que instituiu a tabela foi editada pelo governo como parte do acordo com os caminhoneiros para por fim à greve da categoria. Os preços definidos, contudo, têm gerado polêmica.


A paralisação dos caminhoneiros, no mês passado, durou 11 dias e levou o país a uma crise no abastecimento. Faltou gasolina em postos, diversos produtos não chegaram aos supermercados e aeroportos ficaram sem querosene, por exemplo.

Além da definição da tabela de fretes, o governo se comprometeu, entre outros pontos, a reduzir o litro do diesel em R$ 0,46 e a editar uma MP para isentar do pagamento de pedágio os eixos suspensos dos caminhões.

Audiência pública
Durante a audiência pública no Congresso, nesta terça, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, defendeu o tabelamento com os preços mínimos dos fretes.

Lopes criticou, contudo, a tabela vigente – editada pelo governo em 30 de maio.

"Na visão da Abcam, essa planilha que está sendo discutida aqui é uma planilha empresarial. Ela não é uma planilha que vai atender as necessidade dos caminhoneiros. Não adianta a gente ganhar uma coisa e não levar", afirmou.

Representante de um grupo de caminheiros autônomos, Joel Almir Rocha comparou a tabela ao salário mínimo, afirmando que a definição dá "dignidade" à categoria.

"O piso mínimo de frete traz dignidade. É como se fosse o salário mínimo: vai trazer a dignidade para eu consertar o meu caminhão, levar o dinheiro para a minha família, botar comida em casa. Então, gostaria que colocassem a mão na consciência, afirmou.
Críticas
Presente à audiência pública, o presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luiz Henrique Teixeira Baldez, afirmou ser preciso corrigir problemas estruturais, além de regionalizar o debate sobre o tema.

"Nós não estamos discutindo a inconstitucionalidade ou constitucionalidade [da MP]. Nós estamos dizendo que a tabela não tem como ser aplicada em todas as circunstâncias e especificidades do mercado", declarou.

Gerente-geral da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella avaliou durante a audiência que a tabela definida pelo governo é "incoerente".

"A gente tem um Brasil muito diverso e isso dificulta muito. A tabela mínima, hoje do jeito que está, não vemos ela de maneira sustentável", afirmou.
Fonte: G1