Trabalhadores da Mercedes-Benz entram em greve no ABC


SÃO PAULO. Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira os trabalhadores da fábrica de caminhões da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Com a paralisação das atividades, os trabalhadores, que estão negociando um novo acordo coletivo, pretendem pressionar a montadora a apresentar propostas alinhadas com as principais reivindicações da categoria. A direção da Mercedes e o Sindicato dos Metalúrgicos dos Metalúrgicos do ABC estão negociando desde abril.

De acordo com o secretário-geral do Sindicato, Aroaldo Oliveira, que trabalha e trabalhador na Mercedes-Benz, há divergências em relação ao valor da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e à reposição salarial.


— A empresa não aceita incorporar o reajuste aos salários e este é um dos pontos principais que estão emperrando as negociações. Queremos a reposição incorporada aos salários dos trabalhadores. Também reivindicamos que o cálculo da PLR leve em conta a exportação dos itens agregados (motor, câmbio, eixos) — diz o dirigente, destacando ainda que a empresa pretende demitir trabalhadores mensalistas (que atuam no setor administrativo). — Não podemos aceitar demissões num momento de retomada da produção.

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As chamadas cláusulas sociais também dividem as partes. A empresa, por exemplo, quer excluir itens considerados importantes pelos trabalhadores, como a estabilidade aos acidentados e a complementação salarial por até 120 dias de afastamento. O sindicato quer a manutenção destes pontos e a inclusão de “uma cláusula de salvaguarda contra a reforma Trabalhista, garantindo que qualquer alteração prevista na nova legislação só possa ser implantada após negociação com a entidade”.

Desde a semana passada, os trabalhadores da Mercedes realizam uma série de mobilizações internas, com paradas e passeatas pela fábrica para pressionar a negociação. Nesta terça-feira, haverá nova assembleia às 7h30, em frente à portaria principal da empresa.

Procurada, a Mercedes-Benz confirmou que sua unidade do ABC, onde produz caminhões e ônibus, não funcionou nesta segunda-feira por causa da paralisação. Mas afirmou que não iria se pronunciar sobre a decisão dos trabalhadores porque as negociações com o sindicato ainda estão em andamento.
Fonte: O Globo