Pesado de alma leve


No pátio onde estacionam os ônibus que fazem o transporte dos funcionários da fábrica, nos esperava o Actros 2651, vermelho, acoplado a um bi-trem, com sete eixos e Peso Bruto Total (PBT) de 57 t, como nos apresentou João Moita, nosso embaixador que nos conduziria a uma experiência a bordo do caminhão pela Estrada Velha de Santos.

Tudo com direito a noções de dirigibilidade de um bitrem em uma área fechada e a um almoço no Flutuando, um velho barco transformado em restaurante que fica ancorado às margens da represa Billings, em São Paulo. Estava na hora de partir, mas não sem antes explicações sobre a tecnologia incorporada que faz com que o Actros seja muito mais moderno do que a maioria dos carros de passeio à venda hoje no Brasil.

Professor João Moita



Até mesmo para ter acesso à cabine, precisei ser orientado. São três degraus distantes um do outro que podem ser vencidos com a ajuda de duas barras de ferro laterais. Sentado no lugar do passageiro, o mestre das estradas, João Moita, começa a nos explicar que aquela era a versão top de linha do Actros, o 2651, com tração 6x4, equipada com câmbio automatizado Powershift de 12 marchas e que oferece tecnologias e confortos que fazem da tarefa de dirigir um caminhão extrapesado algo bem diferente do trabalho árduo que isso significava antigamente. Ele seguiu nos falando que o pesado é empurrado por um motor diesel OM 460 LA de seis cilindros em linha com 13 L e 510 cv de potência. O torque máximo é de 244,7 kgfm. Trata-se do modelo extrapesado mais potente da Mercedes–Benz produzido na planta industrial da marca alemã na cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata.

O jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz Caminhões


Tecnologias de condução semiautônoma se destacam
Sem pressa e didaticamente, ante de começar a viagem, Moita foi pautando cada diferencial do Actros, que a essa altura estava com motor ligado e com o eficiente ar-condicionado gelando a cabine do extrapesado. Vários dispositivos de condução autônoma ou semiautônoma estão disponíveis no Actros 2651. 

Um deles, que nosso professor detalhou, é o assistente ativo de frenagem, ou Active Brake Assist (ABA). Ele atua acima de 60 km/h e identifica tanto os obstáculos em movimento à frente do caminhão quanto os que estão parados na via. Quando detecta uma situação de risco, o sistema reduz a velocidade do caminhão automaticamente. Se houver risco de colisão, o ABA ativa um alerta visual e sonoro. Posteriormente, faz uma leve intervenção nos freios e, se for necessário, realiza uma freada de emergência. Se o motorista aciona o freio, o sistema devolve a ele o controle total da frenagem.

Já presente em automóveis de alto valor agregado, a maioria importadas, também está disponível no Actros o sistema de permanência em faixa, que conta com uma câmera montada no para-brisa que detecta a posição do caminhão em relação às faixas de estrada, à direita e à esquerda. Um alerta sonoro avisa o motorista se o veículo se move para fora dessa via, aumentando a segurança de circulação. 

Outro sistema é o de controle de proximidade, que é um sensor de radar, localizado no para-choque, que monitora o tráfego à frente. Com base na velocidade dos demais veículos e na distância em relação ao da frente, o sistema adequa a velocidade do caminhão às variações do tráfego, mantendo uma distância segura para diminuir o risco de colisões.


João Moita vira ‘embaixador’ da marca
Motorista e instrutor há mais de 50 anos, João Moita foi na semana passada alçado pela Mercedes ao cargo de “Embaixador da Voz das Estradas”. Ele irá ao encontro dos caminhoneiros e frotistas em eventos e feiras, postos de combustível e pontos de parada, empresas de transporte, concessionários e outros locais. “Já estou acostumado a rodar muito por esse imenso Brasil e a conversar com motoristas. A gente sempre aprende alguma coisa diferente a cada encontro. Por isso, essa experiência é muito interessante”, afirma Moita.

“Queremos que ele percorra o Brasil para conhecer o que o mercado tem a dizer sobre os nossos produtos”, explica Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing, peças & serviços Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz. A marca irá utilizar amplamente o Facebook e o Instagram para divulgar o projeto e dar continuidade a cada etapa.


Hora de comandar o Actros
Em uma propriedade particular, com ampla área fechada e segura, o instrutor João Moita estacionou o Actros. Era a hora da verdade, eu iria conduzir e fazer algumas manobras ao volante do caminhão. Para trocar de posição basta levantar: o interior da cabine Megaspace é alto e o piso é plano, o que facilita bastante a circulação a bordo – e ainda há uma cama atrás dos bancos para eventual repouso. O banco pneumático do motorista é aconchegante, e logo pude me sentir à vontade e seguro. Moita me ensina o funcionamento do câmbio, que é similar ao dos automóveis, e lá fomos nós, tranquilos, com o “bruto” de 57 t dominado. 

Depois de alguns exercícios na pista, sem nenhum susto, foi a hora de devolver o comando do Actros para Moita. A sensação de ter guiado, mesmo que por poucos quilômetros, o extrapesado da Mercedes me proporcionou momentos de satisfação pelo nova experiência vivida. Ao fim de um dia muito rico em conhecimentos, tanto do caminhão quanto do perfil dos profissionais das estradas, pude comprovar como a evolução da máquina consegue proporcionar, atualmente, aos caminhoneiros, viagens mais prazerosas e menos cansativas. O Brasil fez a opção pelo modal rodoviário há décadas, e são pelas estradas, quase nunca bem-conservadas, que esses valentes caminhoneiros levam e trazem, diariamente, quase tudo o que é produzido e consumido no país. Modelos como o Actros só contribuem para deixar essa árdua missão mais segura e confortável.

Ficha técnica

Motor. BlueTec5, a diesel, seis cilindros em linha.

Potência máxima. 510 cv a 1.800 rpm.

Torque máximo. 244 kgfm a 1.100 rpm.

Câmbio. Automatizado de 12 marchas.

Velocidade máxima. 120 km/h.
Fonte: O Tempo