Mercedes faz pista de R$ 90 milhões para levar caminhões e ônibus ao limite


Conectada com o mundo
Além das 14 pistas para verificar durabilidade estrutural, o campo de provas traz uma pista de conforto acústico e térmico e outra de terra. Esta última simula as condições precárias encaradas por caminhões que trabalham em indústrias como as de cana-de-açúcar e minério.

O complexo possui também uma infraestrutura de conectividade capaz de integrá-lo com campos de provas da Daimler no mundo inteiro. Uma tecnologia é a Driver Guidance System (Sistema de Referência de Condução), na qual engenheiros podem acompanhar testes em tempo real de qualquer parte do planeta, obtendo acesso instantâneo aos números dos veículos avaliados no Brasil.

Esta tecnologia traz conceitos da Indústria 4.0, presente também na nova linha de montagem de caminhões em São Bernardo do Campo (SP).

A cerimônia de inauguração contou com a presença de Uwe Baake, chefe de engenharia da Alemanha, Turquia, China e Brasil. O executivo ressaltou a importância da filial brasileira no desenvolvimento de veículos utilitários mundiais.

“O Brasil é um verdadeiro laboratório a céu aberto. Tem uma variedade incrível de estradas e vias, com diferentes topografias, pavimentos, altitudes e temperaturas. Os produtos feitos aqui levam essas mesmas qualidades para diversos países, tanto da América Latina, quanto de outros continentes. Ou seja, os veículos testados aqui estão aprovados para o mundo”, disse Uwe.

Inspiração alemã
O campo de provas de Iracemápolis segue o modelo do complexo de Wörth, na Alemanha, adotando, inclusive, os mesmos padrões de qualidade e execução dos testes alemães.

Um bom exemplo da similaridade entre as pistas é a construção da pista de testes de durabilidade, que possui mais de 840 placas de concreto pré-moldado instaladas nos mesmos padrões internacionais.


De acordo com a Mercedes, a técnica de construção e os materiais empregados asseguram uso contínuo e 30 anos sem necessidade de substituir fundação e placas.

Laboratório ambulante
Juntamente com a inauguração do campo de provas de Iracemápolis, a matriz da Mercedes-Benz decidiu realizar testes com um caminhão laboratório equipado com 260 sensores.

O veículo, um Actros, percorreu 16 mil quilômetros por várias regiões do Brasil, incluindo 1.500 quilômetros rodando em trechos off-road. Durante o programa de captação de dados, foram realizadas medições de acelerações, deformações, deslocamentos e temperaturas, com o veículo carregado e vazio. O caminhão também foi submetido a diversas simulações de carga e tração, com vários tipos de semirreboques.

De acordo com a Mercedes, seis rodas de medição armazenam dados de força e torque. Sensores coletaram informações de 20 cursos de suspensões do veículo e cabina, reunindo 69 sinais de acelerações e 64 de deformações distribuídos ao longo do veículo, 16 forças de suspensão de cabina, coxim do motor e quinta roda do veículo, dois torques e duas rotações dos cardãs e sinais de GPS.

Todo o trajeto foi registrado com uma câmera de alta definição e a Mercedes-Benz promete aproveitar os dados coletados no desenvolvimento de novos veículos e aprimoramento de produtos atuais.

“Esse caminhão laboratório trouxe a realidade do transporte do Brasil para dentro do Campo de Provas. É exatamente isso que nos permite simular nas nossas pistas uma representação fiel das estradas brasileiras”, declarou Schiemer.

Fonte: UOL