Mercedes-Benz decide ir à Justiça contra greve que já dura uma semana


Mercedes-Benz decide ir à Justiça contra greve que já dura uma semana
Em campanha salarial, com data-base em maio, os 8.000 trabalhadores da fábrica cruzaram os braços na segunda-feira, 14. No início, eles exigiam que a montadora, além de dar aumento real de salários, desistisse de demitir 340 funcionários da área administrativa, mudasse o cálculo da PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) e mantivesse algumas cláusulas acertadas em um acordo anterior.

Alguns dos itens em discussão são o tempo de estabilidade para trabalhadores que sofreram algum acidente e o complemento que eles recebem da empresa por quatro meses para que o auxílio-doença recebido pelo INSS chegue ao mesmo valor do salário.



Segundo o sindicato, a questão das demissões foi superada, pelo menos por enquanto, com a empresa desistindo do corte de vagas. O impasse, no entanto, ainda continua com o reajuste salarial, a PLR e os benefícios. A empresa chegou a oferecer reposição do salários pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de um abono não vinculado aos vencimentos, mas os trabalhadores rejeitaram a proposta em assembleia.

“Considerando a continuidade da paralisação e a impossibilidade de uma solução negociada, a Mercedes-Benz do Brasil decidiu submeter a discussão à Justiça do Trabalho”, escreveu a empresa em nota enviada à imprensa.

A greve ocorre em um momento em que o setor volta a crescer. A fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo é destinada à produção de caminhões e ônibus. Tais segmentos, respectivamente, apresentam crescimento de 54,9% e 81,7% no acumulado de janeiro a abril ante igual intervalo do ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A fábrica da Mercedes, que com a crise passou a produzir em somente um turno, deve voltar aos dois turnos no segundo semestre deste ano, conforme tem dito em entrevistas o presidente da empresa no Brasil, Philipp Schiemer. A unidade, que tem capacidade para produzir 80 mil veículos
Fonte: VEJA