Iveco aposta no e-commerce para ter fatia de 25% em caminhões leves


A Iveco aposta na expansão do e-commerce para ganhar 25% de participação no acirrado segmento de veículos de até 3,5 toneladas no Brasil. A estratégia visa atender principalmente o aumento da demanda por parte de pequenos empreendedores.


“Há uma mudança de perfil de distribuição, especialmente em razão do e-commerce, que traz a necessidade de caminhões menores para realizar entregas diárias porta a porta, inclusive em zona de restrições para veículos mais pesados”, explicou o diretor de marketing e vendas da Iveco para América Latina, Ricardo Barion.

Para atender o mercado de cargas fracionadas, a fabricante apresentou nesta quarta-feira (23) o Daily City 30S13. “O público deste modelo é pulverizado, muitas vezes uma pessoa física ou empresa de um veículo só”, detalha Barion.

O executivo afirma que, somando as categorias furgão e chassi-cabine, a Iveco detém 19% de participação de mercado no segmento. “Com o City, pretendemos atingir 25%. A entrega de carga fracionada é uma grande tendência”, destaca.

O especialista de produtos da Iveco, João Gomes, conta que o modelo pode ser conduzido por motoristas com habilitação tipo B. “O veículo permite uma direção mais parecida com a de um automóvel comum. Visa alcançar esse novo público e também outros tipos de empreendimentos”, complementa.

Além de adaptações voltadas ao varejo, como food trucks e unidades de atendimento, a empresa vê perspectiva em licitações públicas para bases móveis de Polícia e estações de atendimento médico.

Barion acredita que o maior potencial de crescimento está nas regiões Sudeste e Sul do País. “Nós enxergamos uma boa possibilidade de aumento de participação especialmente em duas cidades: Rio de Janeiro e Curitiba.”

Para o executivo, a tecnologia embarcada é uma tendência para o futuro no segmento, mas ainda não é uma realidade. “O peso desse tipo de equipamento no custo de um veículo leve é maior do que em pesados, em que já é mais comum. Mas com a entrada de empresários do e-commerce, há uma forte possibilidade de soluções com conectividade tornarem-se mais presentes.”

O novo modelo integra um programa de investimentos, anunciado no ano passado, que contempla US$ 120 milhões entre julho de 2017 e julho de 2019, destinados principalmente ao desenvolvimento de produtos. “Percebemos desde outubro do ano passado um cenário mais positivo. O volume de negócios do 1º trimestre de 2018 foi acima do esperado e isso está se repetindo agora”, revela o vice-presidente da Iveco para América Latina, Marcos Borba.

Barion afirma que, embora o crescimento se dê sobre uma base fraca, há uma sinalização forte de retomada da atividade econômica no setor. O executivo justifica os investimentos pelo potencial de crescimento do mercado brasileiro. “Há uma necessidade de renovação da frota, que está envelhecida. Também ocorreu um grande represamento de consumo e agora as condições estão mais favoráveis”, garante.

Reaquecimento
Barion destaca que houve um aumento repentino de pedidos e muitos fornecedores não estavam preparados. “A Iveco tem condições de acelerar o ritmo, mas os fornecedores não, então algumas entregas demoram de 4 a 5 meses. Isso sinaliza a necessidade dessas empresas aumentarem a capacidade de produção.”

Barion vê nessa movimentação uma indicação da recuperação econômica do País. “O caminhão está ligado a tudo. Há um otimismo maior, mesmo com as eleições e as incertezas inerentes. Sentimos um descolamento da economia da política”, avalia.

Para Borba, embora a recuperação seja pequena, a retomada já é uma realidade. “Ocorrem variações nos indicadores, mas há resultados melhores. Esperamos uma nova safra recorde de grãos esse ano e o agronegócio está muito atrelado a nossa atividade. Não atingimos patamares pré-crise, mas já é bem diferente dos últimos anos, em que os números estavam sempre no vermelho.”
Fonte: DCI