Após 9º dia esse é o panorama do Brasil



Caminhoneiros continuam fazendo protestos em rodovias do país nesta terça-feira (29), o 9º dia da greve. Há atos em pelo menos 24 estados e no Distrito Federal - apenas Amazonas e Amapá não registram manifestações.

Em algumas capitais, o combustível começou a chegar em parte dos postos, e a oferta de transporte público também dá sinais de melhora.

Enquanto parte dos representantes dos caminhoneiros disse aceitar a proposta e encerrar a grave, sindicatos e outras lideranças esperam mais garantias do governo.

Com escolta policial, caminhões-tanque saíram de distribuidoras para abastecer postos em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Paraíba, além do Distrito Federal.

As ruas de São Paulo e Rio de Janeiro amanheceram com cara de feriado. Às 7h30, o congestionamento era de zero km na capital paulista (o normal varia entre 32 km e 56 km para o horário). O Rio, que costuma ter 76 pontos de congestionamento às 7h45, tinha apenas 9.

Em Campo Grande, a maioria dos postos já tem combustível, com ajuda de 36 escoltas da PRF desde o domingo. Mas a situação ainda é crítica no interior do estado.

No Amazonas, Manaus já está com operação normal dos postos. Os combustíveis chegam ao estado por cabotagem – transporte via mar e rio, de porto a porto - e seguem para os postos sem escolta.

No Paraná, o governo estadual fez um acordo com os caminhoneiros para liberar a passagem de combustíveis e gás de cozinha. Mesmo assim, ainda há filas nos postos. Sem achar combustível, um motorista desesperado colocou álcool comum no carro - o que não é recomendado.

Motoristas passaram a madrugada nas filas em Porto Alegre. Segundo estimativa da prefeitura, 72 dos 280 postos da capital do Rio Grande do Sul devem ser abastecidos até a quinta-feira (31). Cinco caminhões tiveram as mangueiras cortadas na refinaria em Canoas.

No Espírito Santo, os postos já têm poucas filas na Grande Vitória, e no interior o reabastecimento chegou alcançou 50%.

Na Paraíba, as filas estão menores em João Pessoa, e em Campina Grande 7 caminhões com combustível chegaram à cidade na noite da segunda-feira.

Em Sergipe, mesmo com a escolta de caminhões, a situação é de muitas filas nos postos, que definiram limites de R$ 100 por carro e R$ 30 por moto. Os municípios de Estância, Riachão do Dantas e Canindé de São Francisco decretaram estado de emergência.

Em Alagoas, os postos começaram a ser reabastecidos com o fim do bloqueio no porto de Maceió, mas postos foram notificados pelo Procon por prática de preços abusivos. Atalaia e Palmeira dos Índios decretaram situação de emergência.

No Rio Grande do Norte, a Grande Natal recebeu 12% do combustível esperado para 6 dias. No interior, há relato de falta de gasolina, álcool e outros combustíveis em pelo menos 20 cidades.

Em Santa Catarina, a polícia escoltou caminhões-tanque em Lages. A Justiça determinou que manifestantes liberem a entrada de uma distribuidora em Biguaçu. Há filas na capital, no interior os estoques estão esgotados, e 6 municípios declararam emergência.

No Maranhão, caminhões abastecidos no Porto do Itaqui estão sendo escoltados em São Luís e também no interior do estado, mas várias cidades ainda sofrem com a falta de combustível como Codó, Grajaú e Balsas.

Em Pernambuco, os postos do Recife receberam 600 mil litros de segunda pra terça-feira, através de comboios escoltados pela PM e pelo Exército, mas a oferta para os motoristas ainda é irregular. No interior, mais de 60 cidades decretaram emergência.

No estado de São Paulo, 5% dos postos receberam combustível na manhã desta terça, com escolta de caminhões saindo das refinarias. A cidade de Bauru, que tem fornecimento de combustível por meio de trem, foi "invadida" por motoristas de outras cidades e passou a ter pontos de desabastecimento.

O Batalhão de Choque foi usado para liberar a saída da refinaria Replan, em Paulínia. Em Sorocaba e São José dos Campos (SP), escoltas abasteceram postos, mas a fila chega a 7 horas. Ubatuba foi a 4ª cidade do Vale do Paraíba a decretar emergência. Em Ribeirão Preto, manifestantes liberaram a passagem no terminal de petróleo, bloqueado há 9 dias.

Em Minas Gerais, a primeira leva de combustível chegou a Juiz de Fora, mas apenas para serviços públicos essenciais - veículos particulares serão liberados a partir do próximo carregamento. Em Belo Horizonte, o reabastecimento começou, já Patos de Minas declarou emergência.

No Distrito Federal, escoltas para levar gasolina, diesel, etanol e GLP permitiram abastecimento de 30% dos postos da capital de sexta a segunda-feira.

No Mato Grosso, Sorriso se tornou a segunda cidade a decretar emergência pela falta de combustível.

Dezenove cidades ainda estão totalmente sem combustível no Piauí, mas o reabastecimento começou na noite da segunda-feira (28).

Policiais escoltam pelo menos 20 caminhões-tanque para abastecer Palmas e cidades do interior do Tocantins. Gurupi, Talimã e Porto Nacional estão em estado de emergência.

Em Goiás, o sindicato dos postos estima que 70% das cidades estão sem nenhum tipo de combustível e 90% estão sem gasolina e etanol.

O estado do Rio de Janeiro recebeu 10 milhões de litros de combustível nesta terça-feira (29). No entanto, 4 prefeituras da região sul do estado decretaram estado de emergência.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirma que a situação ainda está longe do ideal e deve demorar pelo menos uma semana para voltar ao normal.
Transporte público nas capitais
São Paulo: redução de 37% da frota
Rio de Janeiro: redução de 55% da frota
Brasília: normal
São Luís: redução de 10%
João Pessoa: redução de 30%
Curitiba: normal
Porto Alegre: normal no horário de pico e 80% no restante do dia
Vitória: normal
Belo Horizonte: normal
Aracaju: frota 30% menor
Salvador: normal
Maceió: normal
Florianópolis: paralisação em horários específicos
Natal: frota 30% menor
Recife: normal
Teresina: deve normalizar durante o dia
Aeroportos
De acordo com a Infraero, 10 dos 54 aeroportos administrados pela estatal estão sem combustível hoje. São eles:

São José dos Campos/SP
Uberlândia/MG
Campina Grande/PB
Juazeiro do Norte/CE
Aracaju/SE
Foz do Iguaçu/PR
Paulo Afonso/BA
Palmas/TO
Cuiabá/MT
Imperatriz/MA
Dos 496 voos programados até às 11h nos aeroportos administrados pela Infraero, 44 tinham sido cancelados e 43 estavam com atraso.

A Latam cancelou 8 voos nesta terça, mas disse que "a maior parte da sua operação" está dentro da normalidade. A Avianca cancelou outros 18 voos e a Gol cancelou 1 voo.
Escolas e universidades
No Paraná, as aulas foram suspensas em colégios estaduais de 99 cidades e nas universidades.

Pelo menos 3 universidades retomaram as aulas no Rio Grande do Sul, assim como as escolas estaduais e a rede municipal de Porto Alegre, que funciona normalmente.

Em Minas Gerais, a rede estadual de ensino e a UFMG estão sem atividades para alunos.

Cerca de 160 mil alunos da rede estadual estão sem aula desde o início da semana em Sergipe. O Instituto Federal de Sergipe (IFS) suspendeu as classes nos campi de Lagarto e Aracaju.

Em Alagoas, cerca de 6 mil estudantes da rede municipal estão em casa. No ensino superior, o Ifal interrompeu os cursos de cerca de 13.500 estudantes.

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) suspendeu as atividades em 5 campi. Em várias cidades, alunos de escolas municipais também ficaram sem aula nesta terça-feira.

As universidades, escolas públicas e particulares do Maranhão retomaram as atividades.

As aulas da rede pública no Distrito Federal devem ser retomadas, depois de suspensão na última sexta (25). As instituições de ensino superior também decidiram retomar as atividades acadêmicas.

A Universidade Federal do Tocantins (UFT), a Universidade Estadual (Unitins) e o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) anunciaram suspensão de aulas. Em Palmas, as aulas na rede municipal foram mantidas.

Saúde
Em Pernambuco, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) levou remédios para um centro de nefrologia em Caruaru, no Agreste do Recife. A clínica tem convênio com o SUS e já tinha reduzido o tempo de hemodiálise dos pacientes.


Em Porto Alegre, 5 hospitais suspenderam as cirurgias eletivas. Metade do 269 hospitais filantrópicos do Rio Grande do Sul também suspendeu parte dos atendimentos marcados para priorizar os serviços de urgência.

Na Paraíba, o hospital de Mangabeira (Trauminha) decidiu suspender as refeições de acompanhantes e funcionários para atender totalmente os pacientes.

O maior hospital do Mato Grosso do Sul suspendeu cirurgias eletivas e pedirá escolta policial para que os caminhões com produtos hospitalares cheguem às unidades.

O Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), em Natal, suspendeu as internações eletivas para evitar desabastecimento para os pacientes que já estão internados.

Em Caruaru, no Pernambuco, o atendimento das Unidades Básicas de Saúde e do prédio administrativo vai até as 12h. Os serviços ambulatoriais especializados, centros de saúde, UPAs, Hospitais e demais unidades de funcionamento 24 horas estão mantidos normalmente.

No Distrito Federal, os postos de saúde e as Farmácias de Alto Custo foram reabertos. Os hospitais voltaram a fazer consultas agendadas, mas as cirurgias eletivas seguem suspensas por tempo indeterminado.

No Tocantins, nenhum serviço médico deixou de ser prestado. Segundo o governo estadual, há insumos e medicamentos para os próximos 15 dias. Também há combustível para as ambulâncias.

No Pará, cirurgias serão reagendadas para priorizar os atendimentos de urgência. Os hospitais estaduais estão abastecidos por aproximadamente 7 dias, mas a nutrição dos pacientes está comprometida com a falta de verduras e proteína animal.
Alimentos
No Espírito Santo, o desabastecimento afeta principalmente o interior do estado, com falta de ingredientes em restaurantes, padarias e supermercados.

A Central Estadual de Abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, está praticamente vazia nesta terça-feira.

As centrais de Santa Catarina (Ceasa) em Florianópolis contaram com 2% dos alimentos de um dia normal. E os poucos produtos disponíveis estavam mais de cinco vezes acima do valor.

Na Ceasa do Distrito Federal, há desabastecimento de frutas como laranja, banana, melancia, pera e maçã. A central recebeu na segunda-feira somente 35% dos caminhões que costumam chegar no primeiro dia da semana.

O Ceasa de Pernambuco teve queda de 70% dos produtos na última semana, e diminuição de 35% do número de clientes. O quilo da batata, por exemplo, costumava ser entre R$ 2 e R$ 2,50, mas foi para R$ 6. A cenoura também aumentou, de R$ 2 para R$ 5. Pelo menos, o estoque de produtos como arroz, feijão e açúcar estão normais.

No Piauí, a Ceasa recebeu 15% do previsto de mercadorias nesta terça-feira. Alguns produtos registraram aumento de 50% até 100%.

A Ceasa do Tocantins está com o estoque totalmente zerado. A previsão é de que nos próximos dias pode começar a faltar alimentos nos hospitais caso a situação não seja resolvida.

No Alagoas, a Ceasa ainda tem falta de alimentos, mas 20% da carga habitual chegou nesta terça-feira - um pouco mais que os 15% da segunda.

No Rio de Janeiro, um comboio levou centenas de carretas com alimentos para a Ceasa. De acordo com os comerciantes, os preços ainda estão altos, mas a perspectiva é que tudo comece a voltar ao normal na quarta-feira (30).

Gás de cozinha
Na Paraíba, consumidores estão com dificuldades para encontrar gás de cozinha - os botijões cheios estão presos no porto e não há mais estoque.

O desabastecimento de gás também é sentido em todo o estado de Santa Catarina, no Distrito Federal e no interior do Pernambuco. No Recife, moradores já usam carvão para cozinhar.
Outros serviços públicos
Em Minas Gerais, o governador deu ponto facultativo para repartições públicas até 1º de junho.

A coleta de lixo foi normalizada em Belo Horizonte e no Distrito Federal. Em Caruaru, a coleta de lixo por bairros ainda está reduzida. Em Araguaína (TO), o recolhimento do lixo ocorre apenas em feiras livres e hospitais.

No Pará, 4 municípios apresentam problemas no tratamento de água, já que os produtos para garantir a qualidade não chegam.
Fonte: G1