Vendas crescem 51% e chega a faltar caminhão nas concessionárias


Depois de três anos em crise, o mercado de caminhões novos reagiu além das expectativas no primeiro trimestre de 2018 e já começa a faltar veículos em algumas concessionárias. Entre janeiro e março deste ano, foram vendidos no País 14.669 caminhões, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). No mesmo período de 2017, haviam sido 9.671. O aumento é de 51,6%. 

Antes da crise, em 2013, o mercado brasileiro chegou a ultrapassar a marca dos 154 mil caminhões emplacados. Baixou para 137 mil em 2014; para 71,7 mil, em 2015; e atingiu o fundo do poço em 2016, com 50,2 mil unidades. A expectativa para 2018 é de uma recuperação de ao menos 30%. 


O segmento de caminhões pesados está puxando o reaquecimento do mercado. No primeiro trimestre deste ano, ele chegou a 44% da participação contra 35,5% no mesmo período do ano passado. Devido a isso, há concessionárias sem estoque, como a P.B. Lopes, loja Scania em Londrina. Segundo o gerente-geral, Marlon Sartório Adami, o bom desempenho da safra 17/18 é o principal responsável pelo aumento da procura dos pesados. "O grande frotista (do agro) vinha atualizando seus veículos durante a crise com compras menores. Já o autônomo, o pequeno e médio empresários não compraram caminhões nos últimos anos e agora estão voltando ao mercado", explica. 

Ele afirma que, até há pouco tempo, o setor de transporte não sinalizava recuperação expressiva e, em virtude disso, as montadoras se comprometeram mais com o mercado externo. "As concessionárias Scania estão faturando entre 700 e 750 caminhões (por mês), que representam entre 30% e 40% da produção da fábrica. O resto vai para o mercado externo", alega. De acordo com Adami, a montadora optou por não fazer demissões durante a crise e apostou nas exportações. "De repente, o mercado interno reaquece e não há como quebrar contrato de exportação." 

O gerente diz que sua loja só tem como entregar caminhões de novas vendas a partir de novembro. "Dentro de uns 15, 20 dias, só poderemos nos comprometer com entregas para o ano que vem", conta. 

Nas concessionárias do Grupo Rivesa (Volvo) no Norte do Paraná, o prazo para entrega de caminhões vai de 60 a 90 dias, segundo o diretor comercial Francisco Almeida Feio Ribeiro. Além da retomada da indústria, ele aponta a melhora do nível de endividamento dos transportadores como justificativa para o reaquecimento das vendas de caminhões. "São clientes que estão terminando de pagar os financiamentos que fizeram antes da crise e agora começam a poder renovar frota", explica. 

A queda na taxa Selic, de acordo com o diretor, está melhorando a oferta de crédito dos bancos privados (CDC). Na Rivesa, os recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já foram responsáveis por 95% do financiamento de caminhões. A tendência agora é que a participação do dinheiro do governo caia para 60%. 

Ribeiro também conta que está havendo uma reacomodação do uso de veículos. "Com a queda da indústria na crise, muita gente foi para o transporte de grãos, e agora começa a voltar para as cargas industriais", relata. Ele estima que, no Norte do Paraná, as vendas de caminhões acima de 16 toneladas devem terminar o ano com um crescimento de 40%. 
TRANSPORTE 
Assim como o gerente-geral da P.B. Lopes, o presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná), Marcos Battistella, ressalta que a indústria de caminhões estava focada no mercado externo devido à crise no Brasil. E que agora não tem condições de atender rapidamente a demanda do reaquecimento interno. "Vai levar um tempo ainda para reequilibrar a oferta e a procura por veículos. Estão programando entrega para até 8 meses", alega. 
De acordo com o empresário, o transporte de carga começou a reaquecer no final do ano passado, processo que se acentuou nos últimos meses. Mas a remuneração do setor, segundo ele, ainda não deu sinais de recuperação. "O frete agrícola sempre oscila de acordo com a oferta e procura, mas na carga industrial, a tarifa demora mais para se recompor porque há contratos firmados (entre transportadores e embarcadores)", justifica. 

Por meio da assessoria de imprensa, a Volvo informou que a entrega de caminhões está demorando entre 60 e 120 dias, dependendo do modelo. E que, para atender ao crescimento da demanda, a fábrica de Curitiba retomou, em fevereiro, o segundo turno de produção, com a contratação de 250 funcionários.