Piores trechos de estradas têm aporte insuficiente


O investimento público federal nas 15 piores ligações rodoviárias do Brasil entre 2004 e 2017 foi quatro vezes inferior aos recursos sugeridos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no período.

Os dados são de estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e têm como base os resultados da série histórica da Pesquisa CNT de Rodovias realizadas durante o período.


Para promover uma manutenção rodoviária simples, o Dnit estima que são necessários, em média, R$ 308 mil anuais por quilômetro. Entretanto, segundo a CNT, foram investidos somente R$ 66,5 mil por quilômetro por ano na realização de intervenções nas rodovias que compõem as ligações selecionadas.

O estudo da CNT aponta que o investimento total do governo federal identificado nessas ligações foi de R$ 5,7 bilhões nos 14 anos avaliados. O valor representa somente 5,9% do destinado para todas as rodovias federais no período.

Uma ligação rodoviária é um trecho formado por uma ou mais rodovias, com grande importância para o transporte de cargas e de passageiros.

A análise por tipo de intervenção também mostra que as obras de manutenção e recuperação das rodovias consumiram o maior montante do valor destinado às ligações entre 2004 e 2017: 67,9%.

As ações de adequação representaram 28,5%, enquanto as construções de contornos rodoviários e de obras de arte (pontes e viadutos) ficaram com a menor parcela, 3,6%.

De acordo com a CNT, “a forma como as ações orçamentárias passaram a ser cadastradas no Orçamento Geral da União, a partir de 2012, dificultou a análise de dados de investimentos rodoviários no Brasil”. Antes desse período, os recursos eram alocados por rodovia; hoje, eles são registrados por estados

“Independentemente da destinação por rodovia ou Estado, percebemos que os aportes para as 15 piores ligações rodoviárias foram muito inferiores às necessidades das vias”, avaliou o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista. “Considerando que elas passam por pontos estratégicos do País, é mais que necessário que o governo aumente a destinação de recursos, contribuindo, assim, para o desenvolvimento nacional e o do setor transportador”, completou o dirigente.
Fonte: DCI