Com logística ruim, frete no Brasil custa 4 vezes mais

Com logística ruim, frete no Brasil custa 4 vezes mais

A logística é o principal entrave do agronegócio brasileiro há muitos
anos, deixando o país em desvantagem em relação a seus concorrentes no
mercado internacional. O frete no Brasil, por exemplo, custa quatro
vezes mais que nos Estados Unidos e na Argentina, por exemplo. Para
especialistas em infraestrutura, a redução de tributos e novos modais de
transporte são a solução para o Brasil.

Para Luiz Antônio
Fayet, consultor de infraestrutura e logística da Confederação de
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o grande gargalo está no setor
portuário das novas fronteiras agrícolas. Segundo ele, no Sul e no
Sudeste há estrutura para exportação. “Mas onde há grande expansão e
futuro, porque os estoques de terra estão lá, nós temos um déficit
brutal no setor portuário. E, se eu não tiver portos para sair do
Brasil, eu não consigo chegar no mercado”, diz.

Dados da
Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut) mostram
que os custos no Brasil são mais altos que o de outros exportadores de
produtos agrícolas. O preço do contêiner no porto por aqui, por exemplo,
é de US$ 250; na Europa, o valor é de US$ 100, e na Ásia, US$ 75.

A
CNA mostra que, entre 2009 e 2015, a produção agropecuária brasileira
cresceu 67,5% e as exportações, 19,5%. No entanto, a infraestrutura não
acompanhou essa evolução. Com isso, o frete médio para uma tonelada de
grãos no Brasil é de R$ 98, enquanto o mesmo volume custaria US$ 23 para
ser transportado nos EUA e US$ 20, na Argentina.

A solução,
dizem os especialistas, é diminuir a tributação e melhorar o
planejamento. Para Fayet, da CNA, os pedágios não deveria ser
tributados, por exemplo. “Para se ter uma ideia, 20% (do preço) do
pedágio é tributação. Isso deveria ser eliminado”, acredita.
 A questão da tributação não é unânime. Para o presidente-executivo da
Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César
Borges, parte dos tributos garante a manutenção das rodovias. “Através
do pedágio você vai poder duplicar estradas, diminuir o número de
mortes, diminuir o Custo Brasil. Uma vez que o governo não tenha recurso
para investir, o setor privado está disposto a fazer isso”, afirma.
Hidrovias 
Outra
vantagem de nossos concorrentes estaria no uso de hidrovias, ainda
pouco exploradas no Brasil. O secretário geral da Associação Brasileira
das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, lembra
que o transporte por via fluvial é mais econômico e menos poluente,
retirando caminhões das estradas. “Neste ano, vamos movimentar em soja,
farelo e milho cerca de 115 milhões de toneladas. Isso quer dizer 3
milhões de caminhões bi-trem. Se eu conseguir embarcar isso, todos
seriam retirados da estrada. Todos os países procuram utilizar o máximo
da hidrovia”, diz ele.

Trigueirinho lembra que essa é grande
vantagem dos EUA. Ele afirma que as áreas produtoras americanas estão
distantes 2.000 km do porto da região de Nova Orleans, por onde sai o
grosso das exportações, cerca de 80%. “Vem tudo por hidrovia, por isso o
frete é tão competitivo. Nós precisamos aprender a fazer o mesmo,
porque temos vários rios e não utilizamos de forma adequada”.

Em
2015, foi divulgada uma pesquisa apontando que o Brasil se tornaria o
maior exportador de alimentos do mundo, em uma projeção de dez anos. Com
a logística comprometida, entretanto, esse futuro parece distante. Para
Luiz Fayet, da CNA, isso já poderia ter se tornado realidade de
gargalos como os da BR-163 e do sistema portuário do Arco Norte tivessem
sido resolvidos. “É dinheiro que deixa de adentrar na economia para
diminuir o desemprego no Brasil e diminuir a fome”, afirma. 
Fonte: Canal Rural

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