Caminhões adotam mais rápido os avanços tecnológicos

Caminhões adotam mais rápido os avanços tecnológicos



Avanços da tecnologia automotiva, como sistemas avançados de assistência ao motorista, direção semiautônoma e conectividade, devem ser adotados mais rápido no Brasil pelos caminhões. “No caminhão a conta fecha, novas tecnologias são viáveis porque trazem redução de custos e aumentam a rentabilidade da operação de transporte”, resumiu Oswaldo Ramos, gerente de marketing e vendas da Ford Caminhões, em sua participação no painel sobre veículos comerciais do Congresso SAE Brasil 2017, encerrado na quinta-feira, 9. 

Como exemplo recente dessa adoção rápida de tecnologia, Ramos citou o Ford Cargo Connect (leia aqui), um protótipo com vários sistemas de condução semiautônoma ainda pouco vistos no Brasil que foi apresentado recentemente ao público na última Fenatran. “Ficamos impressionados com o interesse que os clientes demonstraram em querer ter caminhões assim rapidamente em suas frotas. Hoje a velocidade de absorção de tecnologia é muito rápida porque consumidor de veículos comerciais hoje é mais consciente. Ele faz contas e compra quando o modelo novo reduz o seu custo de operação”, explica. 



“Veja o sensor de peso (introduzido no chassi do Cargo Connect que pode transmitir essa informação via internet ao gestor da frota), isso tem impacto direto nos ganhos, pois o transportador sabe quanta carga pode levar a cada ponto da viagem, pode distribuir melhor o peso e tornar o frete mais eficiente. Por isso a assimilação desse tipo de solução é imediata”, destaca o executivo. “As tecnologias de segurança que introduzimos no Cargo Connect (como frenagem automática de emergência e assistente de faixa de rodagem) também são entendidas como instrumentos para reduzir custos, pois acidentes custam caro”, acrescenta. 


Outro exemplo de rápida absorção tecnológica pelos caminhões no Brasil é o caso do câmbio automatizado, já presente em mais de 90% dos modelos extrapesados vendidos atualmente no País. “Com isso o câmbio manual ficou até mais caro, só usado para aplicações específicas, porque todos descobriram a economia de combustível que o automatizado traz”, pontua Eronildo Santos, diretor de desenvolvimento de negócios da Scania. 


CONECTIVIDADE

O avanço da conectividade também está em rota de alta velocidade no Brasil, seguindo a tendência mundial. “A telemetria reduz o custo da operação com o monitoramento de todos os passos do motorista, com correções que podem ser transmitidas on-line, mas também pode aumentar a produtividade, fazendo o caminhão ficar menos tempo parado ou rodando com carga abaixo de sua capacidade”, lembra Julio Steg, supervisor de marketing, TCO e conectividade da MAN Latin America. “Nós dessa indústria estamos mudando de fornecedores de hardware (o veículo) para softwares e serviços, a conectividade é fundamental para fazer isso acontecer”, ressalta. 


“Estamos quase nos transformando em empresas de telecom”, concordou Erico Fernandes, gerente sênior de serviços e soluções da Mercedes-Benz. “A telemetria, ou telemática, comporta-se como um organismos complexo e adaptativo, todo o tempo precisamos desenvolver soluções novas e adaptativas para atender as necessidades dos clientes”, diz, dando como exemplo a evolução do sistema Fleet Board da Mercedes, que recentemente também ganhou funções de telediagnóstico, que detecta on-line possíveis problemas no veículo e emite alertas imediatos aos frotistas. 


Eronildo Santos mostrou também como a conectividade já mudou o formato de manutenção na frota de novos caminhões Scania: “Já abandonamos a fórmula tradicional de parar o veículo em intervalos de quilometragem. Agora o sistema embarcado do caminhão diz qual é o melhor momento de parar”, explica. Outra novidade foi atrelar o custo da manutenção ao consumo de combustível: “Se consumir menos, paga menos. E para isso o veículo também conta com um tutor eletrônico que em tempo real ensina como gastar menos”, afirma. 


“A tecnologia digital está mudando a indústria de transportes, tornando as frotas mais produtivas, mas é preciso lembrar que o caminhão conectado também melhora o desenvolvimento de produtos”, destaca Santos. Ele lembra que a Scania já tem 280 mil caminhões conectados no mundo e 5,5 mil no Brasil. “Imagine o potencial que temos em dividir com o pessoal de desenvolvimento as informações transmitidas por esses veículos.”


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