CAIO Vitória: nascido para vencer… na adversidade!


Projetado em 1987 e lançado no mercado de carrocerias de ônibus em 1988, o CAIO Vitória atravessou diversas conjunturas políticas, sociais e econômicas do Brasil. Fazendo jus à nomenclatura, o Vitória, literalmente, venceu barreiras em um mercado enfraquecido pela inflação e pela estabilização monetária no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990.

Lançado oficialmente em 1988 com o intuito de acompanhar as inovações das carrocerias de ônibus da época e impedir que as carrocerias da CAIO ficassem de fora, o Vitória nasceu como resposta a uma tendência negativa: constantes ameaças de diminuição de participação e liderança na venda de carrocerias no setor de ônibus urbanos, consolidados pelos modelos Bela Vista, Amélia e Carolina.

De acordo com a FABUS, entidade que desde 1959 reúne as fabricantes de ônibus, constatou que de 1988 a 1995 o Vitória foi responsável por 28 mil encarroçamentos, um número recorde para a indústria de ônibus. Em algumas épocas, foram produzidas 280 unidades por mês.

O modelo Vitória não poderia ser considerado uma mera evolução em consequência ao seu antecessor, o Amélia. Apesar dos traços semelhantes, o Vitória trazia linhas mais modernas e soluções diferenciadas. Exemplos disso são as portas no formato “folha”, utilizada em veículos do ramo rodoviário, e os quatro faróis quadrados, sendo dois de cada lado. Inicialmente, as primeiras unidades do modelo contavam com uma “chapa lisa” na dianteira, utilizada por empresas para colocar prefixo ou a inscrição das mesmas. O interior do Vitória trazia diferenças importantíssimas, tais como a qualidade dos bancos e do corredor mais largo, possibilitando melhor deslocamento e maior capacidade de transporte.

Quanto ao design, ao decorrer do tempo houve modificações estéticas na carroceria. Inicialmente, não tinha grades entre as lanternas – todavia, uma chapa lisa entre ambas (citada no parágrafo anterior). As portas “folha” das primeiras versões foram projetadas inicialmente para locomover, com segurança, os passageiros para dentro do veículo. Em 1992, a CAIO passou a utilizar portas de folha dupla em cada porta. Após este ano, a CAIO ainda produziu unidades do Vitória com portas folha única para atender a pedidos anteriores que faziam fila enorme. Ainda na reformulação de 1992, os para-choques passaram a ser lisos – sendo que anteriormente eram chanfrados. O Vitória foi um modelo que se adequou de maneira rápida e com qualidade ao desenvolvimento de novos chassis e versões de motorização, acompanhando bem uma época de mudanças em praticamente todas as montadoras. A flexibilidade e o projeto do Vitória conseguiram dar conta de todas as inovações da época.

O início do fim e do recomeço

Lançado em 1995 como substituto do Vitória, o Alpha (termo ‘alfa’ ou ‘alpha’ significa recomeço) marcou o fim da era tradicional de uma das maiores encarroçadoras de ônibus do país, a CAIO. O Alpha fez parte da última linha de produção completa da encarroçadora que passava pelo seu pior momento. Mesmo pedindo concordata em 1999, a produção do Alpha se estendeu até os anos 2000 por conta das encomendas. O modelo em si não foi o culpado pela situação que a CAIO enfrentou na época. Integrantes da família fundadora da CAIO elencaram uma série de fatores que quase levaram a empresa a desaparecer, tais como a desvalorização do real e a instabilidade financeira pela qual o país enfrentava em 1999. A maior dificuldade, ainda segundo os fundadores da empresa, foram problemas e erros administrativos.



O Alpha foi lançado com um objetivo nada fácil: suceder um dos modelos mais vendidos, o Vitória. Não tendo o mesmo sucesso de seu antecessor, liderou vendas no sudeste do país. No começo dos anos 2000, era que marcou mudanças significativas na CAIO, foi lançado o modelo Apache S21 em sucessão ao Alpha. Em 2000, drasticamente a CAIO teve falência decretada, porém, em 2001, com a fundação da Induscar por José Ruas Vaz – quem comandava um grupo de empresários interessados pela encarroçadora –, arrendou a massa falida e em 13 de Março de 2009 arrematou, definitivamente, em leilão, o parque fabril, os insumos, a tecnologia e a marca CAIO, fundada em 1945 pelo imigrante italiano José Massa.

Referências:
Blog Ponto de Ônibus
Diário do Transporte
Wikipédia

Texto de Danilo Vieira- Colaborador Brasil do Trecho
brasildotrecho:

Ver comentários (1)

  • A Caio já não é mais a mesma há muito tempo e ficou uma bosta. Esta história é muito mal contada. Têm coisas aí, que ninguém até hoje desvendou.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Este site usa cookies.

ler